Uma publicação recente do “The New England Journal of Medicine” apresenta estratégias para reduzir as readmissões hospitalares, ressaltando a importância de avaliações individualizadas que incluem aspectos sociais dos pacientes. Essa abordagem visa substituir métricas padrão por análises que considerem a vulnerabilidade social e necessidades específicas de cada pessoa.
Experiência da Corewell Health
A Corewell Health, rede composta por 22 hospitais nos Estados Unidos, identificou grupos de pacientes com maior risco de complicações pós-alta e implementou planos personalizados de acompanhamento. Para os pacientes considerados vulneráveis, foi desenvolvido um suporte de transição com duração de um mês, envolvendo uma equipe interdisciplinar que atuou não apenas em questões clínicas, mas também em determinantes sociais da saúde, como condições habitacionais.
Esse programa, conduzido ao longo de 20 meses, resultou em uma recuperação mais acelerada dos pacientes e reduziu os custos para o sistema de saúde ao diminuir a necessidade de reinternações.
Políticas para enfrentamento das desigualdades em saúde
Complementando essa iniciativa, estudos apontam que hospitais podem contribuir para a redução das desigualdades em saúde ao considerar fatores como insegurança alimentar, precariedade da moradia, dificuldades de transporte, incapacidade financeira e exposição à violência na avaliação dos pacientes.
Nos Estados Unidos, um conjunto de medidas está sendo implementado para ampliar a visão sobre o perfil dos pacientes. A primeira etapa, que entrou em vigor recentemente, estabelece que hospitais devem priorizar a igualdade em saúde, coletar dados sociodemográficos, analisar essas informações, adotar ações específicas para reduzir disparidades e garantir o engajamento das lideranças na execução dessas medidas.
As etapas subsequentes preveem a obrigatoriedade de relatórios sobre a proporção de pacientes beneficiados por essa abordagem e a identificação daqueles em situação de vulnerabilidade. A padronização de ferramentas de avaliação, capacitação profissional e aprimoramento do compartilhamento de dados são desafios apontados para o sucesso dessas iniciativas e para a efetividade das políticas públicas relacionadas.
