O Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) deu início a uma operação de controle populacional de ratos na Ilha Rata, que é a segunda maior ilha do Arquipélago de Fernando de Noronha. Com uma área de 75 hectares, a ilha integra o Parque Nacional Marinho e não possui moradores.
Na primeira etapa, que se estende até 15 de fevereiro, a equipe do ICMBio realiza o levantamento da quantidade de roedores existentes. Para isso, a ilha foi dividida em três setores: área arbórea, área de ninhal e área de campo, contando com o apoio de pesquisadores especializados.
Impactos ambientais e metodologia
Os ratos são espécies introduzidas na região e representam uma ameaça à fauna local, especialmente às aves migratórias que utilizam a Ilha Rata como local de descanso e nidificação no solo. Esses roedores alimentam-se dos filhotes das aves, causando desequilíbrios ecológicos significativos.
Para mapear o comportamento dos ratos, foram instaladas 20 armadilhas com iscas. Os animais capturados recebem uma marcação e são liberados para posterior recaptura, permitindo a análise do deslocamento e hábitos. Esta etapa é fundamental para a posterior distribuição eficiente do veneno, que será aplicado na segunda fase da operação entre os meses de setembro e outubro, período em que a vegetação estará mais seca.
Experiência anterior e próximos passos
O ICMBio já conduziu uma ação semelhante em 2017 na Ilha do Meio, também parte do Parque Nacional Marinho, com resultados positivos. Naquela ocasião, a densidade de ratos chegou a 12 mil indivíduos em uma área de 15 hectares, impactando fortemente outras espécies locais.
Após a aplicação do veneno na Ilha Rata, está previsto um monitoramento em novembro para avaliar a eficácia da medida e, se necessário, aplicar uma segunda dose para eliminar os roedores remanescentes. O objetivo é concluir o processo de desratização até o final deste ano.
Medidas futuras para biossegurança
Além da desratização na Ilha Rata, o ICMBio pretende propor à gestão local de Fernando de Noronha um programa de controle de ratos e outras espécies exóticas na ilha principal. A proposta inclui a implementação de ações de biossegurança nas embarcações que chegam ao arquipélago, com foco na fiscalização e prevenção de introdução de espécies invasoras, em parceria com a administração do Porto de Santo Antônio.
