A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) anunciou um aporte de R$ 23 milhões para fortalecer a proteção da biodiversidade ao redor do Parque Estadual do Morro do Diabo, localizado em Teodoro Sampaio, no oeste paulista. A iniciativa visa mitigar os riscos de atropelamentos e preservar espécies ameaçadas, sobretudo após a morte de duas onças-pintadas na Rodovia Arlindo Béttio (SP-613) em abril deste ano.
O pacote inclui a instalação de quatro novos radares de controle de velocidade, que se somarão aos dois já existentes, totalizando seis dispositivos ao longo da rodovia que corta o parque. Além disso, serão construídas três passagens subterrâneas específicas para fauna de grande porte, projetadas para facilitar a travessia segura dos animais.
Estrutura e medidas complementares
Para complementar as ações, o governo estadual planeja a instalação de 30 quilômetros de cercas de proteção ao longo da SP-613 e mais 10 quilômetros na Estação Ecológica do Mico-leão-preto. Também está prevista a criação de um Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) na região Oeste do Estado, destinado ao atendimento e reabilitação de animais atropelados ou apreendidos.
A secretária estadual Natália Resende visitou o parque e a rodovia, destacando a integração entre as áreas ambiental e de infraestrutura da Semil, por meio da Fundação Florestal e do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). O cronograma das ações está previsto até 2026, porém os prazos dependem da conclusão de projetos e processos licitatórios.
Contexto ambiental e importância do parque
O Parque Estadual do Morro do Diabo, com cerca de 34 mil hectares, é um dos raros remanescentes da Floresta de Planalto na Mata Atlântica interiorana e abriga diversas espécies em risco, como anta, queixada, bugio, puma, onça-pintada e a maior população livre do mico-leão-preto. O parque também possui a maior reserva de peroba-rosa do país, contribuindo para projetos de reflorestamento e recuperação ambiental.
Além do valor ecológico, o parque é utilizado para atividades de lazer e pesquisa científica, servindo como base para o Programa Monitora BioSP da Fundação Florestal. Os estudos realizados auxiliam no planejamento de ações para aumentar a cobertura vegetal, reduzir a fragmentação e ampliar os serviços ambientais da unidade de conservação e suas áreas de entorno.
Proteção da onça-pintada
A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e está classificada como vulnerável pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). A espécie enfrenta ameaças decorrentes da perda de habitat e conflitos com atividades humanas, como a pecuária. A mortalidade recente na rodovia reforça a necessidade de medidas que garantam a segurança da fauna local.
O investimento do governo estadual integra um conjunto de ações para preservar o patrimônio ambiental da região, reconhecendo o papel fundamental do parque na conservação da biodiversidade e na promoção do equilíbrio ecológico.
