A rede internacional de cafeterias Starbucks passou a ser alvo de questionamentos e críticas após inaugurar duas unidades comerciais em Urumqi, capital da região de Xinjiang, no noroeste da China. A iniciativa, divulgada pela imprensa oficial chinesa, ocorre em meio a denúncias internacionais sobre violações de direitos humanos contra a minoria muçulmana uigur na área.
Desde 2022, a Organização das Nações Unidas (ONU) tem alertado para possíveis crimes contra a humanidade em Xinjiang, incluindo a detenção em massa de uigures e outras minorias muçulmanas em centros de reeducação. Relatos de organizações de defesa dos direitos humanos indicam que práticas como trabalho forçado ainda persistem na região.
Reações políticas e posicionamentos
Nos Estados Unidos, o presidente do Comitê da Câmara dos Representantes para assuntos relacionados à China, John Moolenaar, qualificou a decisão da Starbucks como “moralmente inaceitável”, ressaltando que a ação associa uma marca americana a políticas repressivas do Partido Comunista Chinês (PCC) contra os uigures.
Além disso, o Congresso Mundial Uigur manifestou preocupação com a postura da empresa, afirmando que a Starbucks ignora o contexto crítico de direitos humanos ao expandir sua presença na região. O grupo ressaltou a responsabilidade das empresas em não fomentar economias que possam se beneficiar de trabalho forçado imposto pelo Estado.
Contexto econômico e resposta chinesa
O governo da China nega as acusações e destaca que as medidas adotadas em Xinjiang têm como objetivo eliminar o extremismo e promover o desenvolvimento econômico local. A região tem recebido investimentos consideráveis e é apontada como uma das áreas com maior crescimento econômico previsto para 2025, incluindo o estímulo ao turismo.
Em meio a tensões comerciais e políticas, os Estados Unidos aplicaram sanções contra autoridades chinesas por supostos abusos em Xinjiang, e diversas empresas ocidentais enfrentam críticas por sua relação com a região. No ano anterior, a Starbucks anunciou a venda da participação majoritária de suas operações na China para o fundo Boya Capital, buscando reestruturar seus negócios em um dos seus mercados mais relevantes.
