A Rússia conclui em ritmo acelerado a construção de uma nova base militar na região de Rostov, no sudoeste do país, próxima à fronteira com a Ucrânia. A instalação, com área equivalente a cerca de 126 campos de futebol, foi erguida em apenas seis semanas e será utilizada para lançar drones de propulsão a jato, reforçando a capacidade ofensiva russa na área.
Especialistas em defesa, consultados pela agência Reuters, indicam que a base terá plataformas equipadas com trilhos de lançamento para os modelos de drones Geran-4 e Geran-5, os mais recentes da Rússia. A instalação integra uma rede já existente de pelo menos 11 locais fixos para ataques com sistemas aéreos não tripulados (UAS) contra alvos ucranianos.
O aumento da utilização de drones a jato, que podem atingir velocidades de até 600 km/h, representa um desafio para o sistema defensivo da Ucrânia, que tem dificuldades para interceptar essas aeronaves mais rápidas. Dados ucranianos indicam um crescimento significativo no uso desses drones durante os últimos meses, sobretudo contra a capital Kiev e áreas adjacentes.
Implicações estratégicas e contexto regional
Localizada a aproximadamente 3,5 quilômetros da base aérea russa de Millerovo, a nova instalação está protegida por sistemas antiaéreos já existentes, o que dificulta contra-ataques ucranianos. Segundo analistas, a rapidez da construção demonstra a capacidade da Rússia de mobilizar e ampliar rapidamente suas operações ofensivas, inclusive com ataques de longo alcance em profundidade no território adversário.
Este desenvolvimento ocorre em um contexto de tensão crescente entre Moscou e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Autoridades europeias denunciam ações russas que incluem sabotagem, ataques cibernéticos e incursões com drones em países aliados. A capacidade russa de lançar centenas de drones em um único dia é vista como uma vulnerabilidade estratégica para a aliança ocidental, dada a insuficiência de sistemas de defesa aérea adaptados para essa ameaça.
Com o conflito entre Rússia e Ucrânia em seu quinto ano, a expectativa é de que os ataques com drones e mísseis se intensifiquem durante o inverno europeu, ampliando o impacto das operações militares na região.
