Em resposta à intensificação das manifestações no país, a França anunciou a mobilização de aproximadamente 70 mil agentes de segurança para atuar durante os protestos previstos para este fim de semana. A informação foi divulgada pelo ministro do Interior, Laurent Nunez, que destacou a presença de apelos à violência e saques em redes sociais, principalmente por grupos de extrema esquerda radical.
O efetivo contará com unidades policiais especializadas, além de 20 veículos blindados e 15 veículos equipados com canhões de água. Esta medida visa garantir a ordem pública após episódios recentes de confrontos e saques, considerados os mais graves dos últimos anos, que levaram à prisão de cerca de 2.700 pessoas desde o último sábado.
Contexto das manifestações e medidas governamentais
As manifestações tiveram início com protestos estudantis em escolas públicas, motivados por demandas relacionadas a melhorias na infraestrutura escolar, contratação de funcionários e alterações no sistema de ingresso universitário. Com o avanço do movimento, outras reivindicações passaram a integrar a pauta, incluindo críticas ao aumento do custo de vida.
As autoridades francesas adotaram restrições à realização de reuniões públicas em diversas cidades, como Lyon, Marselha e Montpellier, e implementaram toques de recolher noturnos em regiões da capital e arredores. O presidente Emmanuel Macron atribuiu os episódios de violência a ações de grupos radicais que, segundo ele, buscam desestabilizar a República, além da atuação de criminosos oportunistas.
Projeções e desdobramentos futuros
O governo também tem se preparado para uma mobilização maior envolvendo sindicatos, especialmente a Confederação Geral do Trabalho (CGT), que deve se unir ao movimento dos coletes amarelos, conhecido pelos protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis em anos anteriores. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu destacou a necessidade de uma operação de segurança robusta para o próximo sábado, com o objetivo de evitar novos episódios de violência.
Os representantes sindicais, apesar de terem participado de reuniões com o governo, ainda não apresentaram propostas concretas e planejam uma nova jornada de mobilização para o início de novembro, convocando trabalhadores de diversos setores.
O movimento social, que começou com estudantes e se ampliou para outras demandas, ocorre em um contexto político sensível, a poucos meses das eleições presidenciais de 2027, que definirão o sucessor do atual presidente.
