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Economia

Ministério Público de Goiás solicita suspensão do concurso da Polícia Militar por irregularidades

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) apresentou um pedido urgente à Justiça para suspender o concurso público destinado aos cargos de soldado 3ª classe e cadete da Polícia Militar do estado. A solicitação decorre de diversas denúncias feitas por candidatos durante a aplicação das provas objetivas e discursivas, realizadas em 15 de janeiro, que apontam irregularidades capazes de comprometer a integridade do certame.

A promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira destacou que a suspensão visa evitar prejuízos aos candidatos, à administração pública e à sociedade enquanto o processo judicial está em andamento. Além da paralisação, o MP-GO requereu a reaplicação das provas e a divulgação de um novo cronograma contemplando todas as fases do concurso.

Contexto e decisões judiciais

Anteriormente, em 31 de janeiro, a juíza Zilmene Gomide da Silva Manzoll já havia concedido liminar para suspender parcialmente as vagas ofertadas para soldado 3ª classe e cadete, mantendo a medida até uma decisão definitiva. Apesar disso, o concurso seguiu seu curso, e o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) informou que os autos do processo foram remetidos para nova análise da magistrada, sem previsão de decisão sobre a manutenção da suspensão das nomeações.

Principais irregularidades apontadas

O certame, que contempla 2.420 vagas para soldado de 3ª classe e 80 para cadete, contou com quase 35 mil inscritos e foi aplicado em Goiânia e outras 16 cidades do interior. Entre as irregularidades relatadas estão a entrada de candidatos com aparelhos eletrônicos, falhas nos cadernos de provas, como alternativas sublinhadas, erros no conteúdo das questões — incluindo a menção a dispositivos constitucionais inexistentes — e inconsistências na identificação dos tipos de prova, que geraram insegurança e prejudicaram a correção dos exames.

Além disso, o MP-GO identificou problemas na divulgação dos resultados, com três listas distintas de aprovados para o cargo de cadete, e atribui à Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Assistência (Funrio), responsável pela aplicação, falhas na gestão do processo, incluindo a demora no registro de boletim de ocorrência após suposto ataque cibernético que teria comprometido o sistema.

Impactos no andamento do concurso

O cronograma do concurso sofreu cinco alterações desde sua publicação, o que, junto às falhas técnicas e administrativas, gerou questionamentos sobre a lisura do processo. A divulgação de fotos das provas e cartões-resposta em redes sociais também evidenciou a ausência de controle rigoroso durante a aplicação dos exames.

Em nota, a Secretaria de Estado de Gestão e Planejamento (Segplan), responsável pela organização do concurso, informou que só se manifestará após notificação oficial da ação judicial. A Funrio, por sua vez, ainda não se pronunciou sobre as acusações.