Dados do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2026, divulgado pelo Instituto Semesp, indicam que a evasão no ensino superior brasileiro permanece em níveis elevados, especialmente na modalidade de educação a distância (EAD). Em 2024, 41,6% dos alunos matriculados em cursos EAD desistiram antes de concluir a graduação, número significativamente superior aos 24,8% registrados no ensino presencial.
A pesquisa destaca que, apesar do crescimento das matrículas após a pandemia, a permanência dos estudantes continua sendo um desafio, principalmente nas instituições privadas e nos cursos ofertados a distância. A predominância do modelo assíncrono, que exige maior autonomia do aluno, é apontada como um fator relevante para o elevado índice de abandono na EAD.
Perfil dos Estudantes e Impacto do Tamanho das Instituições
O levantamento também revela que a evasão é mais frequente entre estudantes adultos, com 67,3% dos alunos de EAD tendo 25 anos ou mais, enquanto no ensino presencial a maioria está abaixo dos 25 anos. A dificuldade em conciliar estudos, trabalho e renda é identificada como um dos principais obstáculos para a conclusão dos cursos.
Além disso, o porte das instituições influencia a taxa de desistência. Instituições privadas de grande porte apresentam taxa acumulada de evasão de 69,2%, contra 53,3% nas menores, refletindo a expansão da EAD em grandes grupos educacionais e a lógica de escala da modalidade.
Concentração e Desafios no Ensino Superior
O estudo mostra que a educação a distância já representa 50,7% das matrículas no ensino superior brasileiro, com a rede privada concentrando 95,9% dessas vagas. A evasão é maior nas instituições privadas, tanto na EAD quanto no ensino presencial, evidenciando desigualdades entre as redes.
Apesar do aumento de 2,5% nas matrículas entre 2023 e 2024, a taxa de permanência dos estudantes permanece baixa, indicando que o acesso ampliado ao ensino superior não tem se traduzido em maior conclusão de cursos. O Semesp ressalta a necessidade de políticas que não apenas ampliem o acesso, mas também promovam estratégias de apoio acadêmico e financiamento estudantil eficaz para combater a evasão.
O relatório aponta ainda a concentração do sistema educacional em poucos grupos privados e a mudança no perfil institucional, com crescimento expressivo dos centros universitários e redução do número de faculdades. Além disso, a taxa líquida de escolarização de jovens entre 18 e 24 anos permanece estagnada em 20,8%, demonstrando que o aumento das matrículas não tem ampliado significativamente o acesso da população jovem ao ensino superior.
