Terapia celular experimental promove remissão completa de linfoma em paciente atendido pelo SUS

Paciente com linfoma não Hodgkin teve remissão total em um mês após tratamento com células CAR-T no âmbito de estudo público.

Um tratamento inovador baseado na terapia celular CAR-T, aplicado no Sistema Único de Saúde (SUS), resultou em remissão completa de linfoma em um paciente que enfrentava a doença há 13 anos. O publicitário de 61 anos, Paulo Peregrino, estava prestes a iniciar cuidados paliativos quando recebeu a terapia em abril e apresentou desaparecimento total dos tumores em apenas um mês.

O protocolo faz parte de um estudo conduzido pelo Centro de Terapia Celular da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto. Até o momento, 14 pacientes foram submetidos ao tratamento, que utiliza as próprias células T do paciente, geneticamente modificadas para combater o câncer. Todos os participantes apresentaram redução significativa nos tumores, com 69% alcançando remissão completa em 30 dias.

Desenvolvimento e financiamento do tratamento

O desenvolvimento da versão brasileira da terapia CAR-T foi liderado pelo Centro de Terapia Celular em Ribeirão Preto, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A técnica, de alto custo estimado em cerca de R$ 2 milhões por paciente, é rara em países em desenvolvimento, mas o Brasil busca sua incorporação ao SUS para ampliar o acesso.

Em parceria com o Instituto Butantan, foram instaladas duas unidades para produção das células modificadas no estado de São Paulo, com capacidade inicial para 300 tratamentos anuais. Atualmente, um estudo clínico com financiamento público está em processo de aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para tratar 75 pacientes, com previsão de início em agosto. O projeto prevê economia de aproximadamente R$ 140 milhões em comparação aos valores praticados no setor privado.

Aspectos clínicos e relato do paciente

Paulo Peregrino recebeu alta após internação no Hospital das Clínicas de São Paulo, onde foi acompanhado por uma equipe multidisciplinar. O hematologista e coordenador do estudo, professor Vanderson Rocha, destacou a rapidez e a intensidade da resposta observada, que superou as expectativas iniciais.

O paciente relatou que a experiência representou uma combinação de fé, ciência e apoio social. Ele mantém acompanhamento médico contínuo e planeja uma celebração para consolidar a recuperação. A expectativa é que os resultados e o conhecimento gerados com o caso possam beneficiar outros pacientes no futuro.

Além do linfoma não Hodgkin, a terapia CAR-T tem potencial para tratar leucemia linfoblástica B e mieloma múltiplo, embora este último ainda não esteja disponível no Brasil. A técnica consiste na coleta, modificação genética e reinfusão das células T do próprio paciente, que passam a reconhecer e destruir as células tumorais de forma específica.

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