O Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) efetuou a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) em Orlando, na Flórida. A detenção, confirmada pela Polícia Federal brasileira, ocorreu por questões relacionadas à situação migratória irregular do ex-parlamentar.
Ramagem, que foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), deixou o Brasil clandestinamente após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado. Ele é acusado de integrar o núcleo central da trama que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder.
Procedimentos legais e cooperação internacional
O Ministério da Justiça brasileiro formalizou em janeiro de 2026 o pedido de extradição do ex-deputado junto ao governo dos Estados Unidos. A documentação foi encaminhada pela Embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado norte-americano no final de dezembro de 2025. Além disso, o ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol, o que permitiu sua detenção no exterior.
Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a prisão decorre da cooperação bilateral entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado. As autoridades brasileiras aguardam informações sobre os próximos passos para o retorno de Ramagem ao país.
Contexto político e sanções
Após a condenação criminal, Ramagem teve seu mandato de deputado federal cassado em dezembro de 2025. A Câmara dos Deputados também cancelou seu passaporte diplomático e bloqueou seus vencimentos parlamentares, conforme determinação do STF. Aliados do ex-parlamentar indicaram que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos.
Perfil de Alexandre Ramagem
Delegado da Polícia Federal desde 2005, Ramagem ganhou destaque nacional ao comandar a segurança do então candidato Jair Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora, durante a campanha eleitoral de 2018. Na gestão Bolsonaro, assumiu a direção da Abin, órgão que esteve sob investigação por suposto uso irregular para monitoramento político. Em 2022, foi eleito deputado federal pelo PL-RJ, obtendo aproximadamente 59 mil votos.
Em 2024, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro, ficando em segundo lugar. Sua nomeação para o cargo de Diretor-Geral da Polícia Federal em 2020 foi suspensa pelo STF devido à proximidade com a família do presidente na época.
