PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO sexta-feira, 17 de abril de 2026
Brasil

Trend brasileira que simula violência contra mulheres repercute na imprensa francesa e gera debate sobre misoginia

Uma tendência de vídeos nas redes sociais brasileiras, conhecida como “Caso ela diga não”, tem chamado a atenção da imprensa francesa por estimular representações de violência contra mulheres. Nessa série de publicações, homens simulam agressões físicas contra manequins ou bonecos, reproduzindo reações violentas a rejeições em contextos de relacionamentos.

O jornal francês Le Parisien destacou a viralização desses vídeos no TikTok e relacionou o fenômeno a casos concretos de violência no Brasil, como a tentativa de feminicídio sofrida por Alana Anisio Rosa, em São Gonçalo (RJ). A jovem de 20 anos foi atacada após recusar investidas de um homem, que se inspirou em conteúdos similares encontrados na plataforma digital. O agressor foi preso em flagrante e responde pelo crime.

Reportagens em veículos como France 24 e 20 Minutes também abordaram o impacto desses conteúdos, que alcançam milhares de visualizações e podem contribuir para a normalização da violência contra mulheres. O Brasil registrou 1.586 feminicídios no ano anterior, o que reforça a preocupação com a disseminação dessa cultura de agressão.

Além disso, a repercussão internacional inclui análises sobre a influência de discursos masculinistas e a resistência enfrentada por propostas legislativas no Brasil, como o Projeto de Lei da Misoginia, que visa combater a violência simbólica e estrutural contra mulheres. Em redes sociais, movimentos contrários à trend promovem vídeos educativos que reforçam a importância do respeito às decisões femininas.

Na França, a jornalista Mathilde Serrell, da rádio France Inter, relacionou o fenômeno à série “Adolescência”, que retrata um feminicídio motivado por rejeição, enfatizando que a ficção tem refletido uma realidade preocupante no Brasil. A cobertura internacional ressalta ainda a necessidade de ações coordenadas para enfrentar a misoginia e proteger os direitos das mulheres.