PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 26 de abril de 2026
Brasil

Adolescente é morto em Centro Socioeducativo de Roraima em contexto de conflito entre facções

Um adolescente de 16 anos foi encontrado morto no Centro Socioeducativo (CSE) Homero de Souza Cruz Filho, em Boa Vista (RR), na noite do último sábado (21). Segundo as autoridades, o jovem, identificado como Paulo Henrique Medeiros Soares, foi vítima de um assassinato com características de violência extrema.

De acordo com o coronel Elias Santana, comandante do Policiamento da Capital, o crime foi cometido por internos ligados a uma facção criminosa. O adolescente foi decapitado e esquartejado dentro de um dos quartos da unidade, sem registro de confronto ou feridos durante a ação. A motivação estaria relacionada a rivalidades entre grupos criminosos atuantes no sistema socioeducativo.

Funcionários do CSE relataram que Paulo Henrique havia sido detido poucos dias antes, na última quinta-feira (19), por roubo de um celular. Ao chegar à unidade, ele teria se apresentado como membro do Primeiro Comando da Capital (PCC), mas foi identificado posteriormente como pertencente ao grupo rival Comando Vermelho (CV), fato que teria desencadeado o homicídio.

O episódio ocorreu no bloco C, onde internos de facções rivais permanecem em áreas separadas desde o ano anterior, como medida de segurança. Ainda assim, a unidade enfrenta um ambiente de tensão crescente, agravado por recentes rebeliões e a necessidade de reformas emergenciais nos espaços internos.

Após o incidente, cerca de 15 adolescentes que estavam no mesmo quarto foram encaminhados à Central de Flagrantes para procedimentos investigativos. O corpo da vítima foi recolhido pelo Instituto Médico Legal (IML). Esta é a segunda morte registrada no CSE em 2018, reforçando a necessidade de ações para garantir a segurança e a integridade dos internos.

Em julho, a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) adotou medidas excepcionais, incluindo a detenção temporária de cerca de 20 internos em veículos do sistema penitenciário, devido à destruição de quartos e à falta de condições adequadas para abrigar os jovens.