René Redzepi, chef dinamarquês fundador do renomado restaurante Noma, em Copenhague, anunciou seu retorno ao estabelecimento após um afastamento de menos de cinco meses. A decisão ocorre em meio a repercussões de denúncias de agressões e humilhações no ambiente de trabalho feitas por ex-funcionários, reveladas em reportagem do New York Times.
Em março, logo após as acusações, Redzepi renunciou ao comando da cozinha, assumindo publicamente a responsabilidade pelos relatos e pedindo desculpas por suas atitudes. Agora, ele retorna em uma nova função, deixando a liderança da cozinha para assumir o cargo de diretor criativo, conforme divulgado pelo The Wall Street Journal.
Segundo o próprio chef em publicação nas redes sociais, seu foco será direcionado a projetos de longo prazo relacionados à inovação e à tecnologia, incluindo o desenvolvimento de novos ingredientes como algas, leguminosas e fungos. Essa mudança marca o fim de mais de duas décadas à frente da cozinha do Noma.
Contexto das denúncias e impactos
A investigação do New York Times trouxe à tona relatos de uma cultura de trabalho marcada por abusos verbais e físicos, jornadas exaustivas que chegavam a ultrapassar 16 horas diárias e o uso intensivo de estagiários estrangeiros com baixa ou nenhuma remuneração. Ex-funcionários descreveram episódios em que o chef teria agredido membros da equipe, incluindo empurrões e socos motivados por erros menores.
Essas denúncias geraram consequências imediatas para o restaurante, incluindo o cancelamento de patrocínios importantes para uma temporada de jantares pop-up em Los Angeles. Empresas como American Express e a startup Blackbird retiraram seu apoio ao evento, comprometendo-se a reembolsar os clientes e a destinar os valores arrecadados a organizações que atuam na defesa dos direitos dos trabalhadores do setor gastronômico.
