PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 26 de abril de 2026
Internacional

Drones Shahed-136: A Estratégia de Baixo Custo que Redefine Conflitos Armados

O drone Shahed-136, desenvolvido pelo Irã, tem se consolidado como um elemento estratégico nas operações militares recentes, especialmente em confrontos envolvendo Israel, países do Golfo e a Ucrânia. Com produção simplificada e custo reduzido, esses veículos aéreos não tripulados (VANTs) representam uma nova dinâmica na guerra moderna, caracterizada pelo uso de enxames para superar sistemas de defesa aérea tradicionais.

Com comprimento aproximado de 3,5 metros, o Shahed-136 pode ser lançado a partir de estruturas improvisadas que demandam poucas horas para montagem. Seu alcance estimado, segundo o fabricante, pode chegar a até dois mil quilômetros, o que permite atingir alvos estratégicos em regiões vizinhas, incluindo instalações energéticas, data centers, aeroportos e bases navais. Essa capacidade tem pressionado os países do Golfo a adotarem sistemas de defesa antiaérea caros, como NASAMS, Coyote e Avenger, elevando os custos operacionais para interceptar esses drones.

Estratégia de custo e saturação das defesas

A estratégia iraniana prioriza a quantidade em detrimento da precisão, lançando grandes enxames simultaneamente para saturar as defesas aéreas inimigas. Enquanto o custo unitário de um drone Shahed varia entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, os mísseis utilizados para derrubá-los podem custar entre US$ 1,3 milhão e US$ 4 milhões cada. Essa discrepância financeira torna a defesa mais onerosa do que o ataque, impactando diretamente a sustentabilidade dos recursos militares dos adversários.

Além disso, o Shahed-136 apresenta voo lento e trajetórias irregulares, o que dificulta sua detecção e aumenta a necessidade de múltiplos mísseis para sua destruição. A autonomia do drone é limitada ao planejamento prévio do alvo, sem possibilidade de alteração durante o voo, o que simplifica seu funcionamento e reduz a vulnerabilidade a interferências eletrônicas, ainda pouco eficientes na região.

Influência no contexto internacional e resposta dos EUA

O uso do Shahed-136 tem sido comparado à tática russa na Ucrânia, onde drones similares, denominados Geran-2, são empregados para atacar infraestruturas civis e militares. Essa modalidade de combate tem levado a uma guerra de atrito, desgastando os recursos dos adversários e prolongando os conflitos. Em resposta, os Estados Unidos iniciaram o desenvolvimento do Low-cost Uncrewed Combat Attack System (Lucas), um drone inspirado no Shahed-136, buscando equilibrar a relação custo-benefício na defesa e no ataque.

O comandante do Comando Central dos EUA (CENTCOM), almirante Brad Cooper, destacou a importância desses sistemas para os atuais conflitos, ressaltando a captura e adaptação dos drones iranianos para uso próprio. Paralelamente, acordos de cooperação entre Ucrânia, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos têm ampliado o compartilhamento de informações para aprimorar a defesa contra drones na região do Golfo, demonstrando a crescente relevância dessa tecnologia no cenário global.