Em meio aos desafios sociais enfrentados no Brasil, a educação surge como uma ferramenta fundamental para pessoas que buscam reestruturar suas vidas. Casos como o de Thais Barbosa, que superou anos de dependência química e vulnerabilidade social, evidenciam a relevância do acesso à qualificação educacional para a reinserção no mercado de trabalho e a conquista de estabilidade.
Thais, natural da zona norte do Rio de Janeiro, interrompeu seus estudos aos 13 anos e passou mais de uma década em situação de rua e dependência do crack. A virada ocorreu após a formação de uma família e a decisão conjunta de retomar os estudos por meio do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). Após obter o certificado do ensino fundamental, ela enfrentou dificuldades para concluir o ensino médio, especialmente em matemática, mas persistiu até alcançar o diploma recentemente.
O papel do Encceja na retomada dos estudos
O Encceja tem se consolidado como uma alternativa para adultos que não concluíram a educação básica na idade adequada. Segundo dados da Pnad Contínua de 2025, mais de 40% dos brasileiros com mais de 25 anos não completaram o ensino básico, e cerca de 30% nem sequer concluíram o ensino fundamental. O exame oferece uma oportunidade para que essas pessoas obtenham certificação oficial e avancem em suas trajetórias educacionais e profissionais.
Outro exemplo é Luiz Ferreira Filho Tarcha, de 57 anos, que retomou os estudos após longos anos afastado da escola. Morador do sertão paraibano, Luiz pretende concluir o ensino médio para ingressar em um curso superior de Língua Brasileira de Sinais (Libras), motivado pela experiência profissional e o desejo de ampliar sua capacidade de comunicação e inclusão social.
Perspectivas de futuro e impacto social
Além da conquista pessoal, a educação representa para esses indivíduos um meio de garantir maior autonomia e segurança. Thais destaca a importância da persistência e da força de vontade para superar obstáculos, ressaltando que, apesar das dificuldades, o conhecimento adquirido permanece como um patrimônio inalienável. Ela também enfatiza o papel do apoio familiar na educação do filho, visando evitar que ele enfrente os mesmos desafios.
Essas histórias demonstram que, apesar das adversidades, a educação pode ser um vetor de transformação social, promovendo inclusão, valorização pessoal e oportunidades no mercado de trabalho, especialmente para aqueles que enfrentaram condições de vulnerabilidade.
