PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 26 de abril de 2026
Brasil

Especialista destaca necessidade de check-up cerebral para prevenção do declínio cognitivo

O declínio cognitivo não deve ser encarado como um processo natural ou inevitável, afirma o neurologista David Dodick, professor emérito da Mayo Clinic e adjunto da Thomas Jefferson University. Em palestra recente, ele destacou a importância de implementar rotinas de check-up cerebral como estratégia prioritária para a saúde pública global.

Prevenção e fatores de risco

Segundo Dodick, as doenças neurológicas atingem cerca de um terço da população mundial e representam a principal causa de incapacidade, com crescimento acelerado entre as doenças crônicas não transmissíveis. Ele aponta que até 80% dos casos de AVC e 40% dos de demência poderiam ser evitados com medidas adequadas.

O especialista listou doze fatores de risco responsáveis por 40% dos casos de demência: hipertensão, diabetes, obesidade, perda auditiva, poluição do ar, consumo excessivo de álcool, traumas cranianos, isolamento social, depressão, tabagismo, sedentarismo e baixa escolaridade.

Contexto nacional e internacional

Comparando dados dos Estados Unidos e do Brasil, Dodick alertou para a elevada prevalência dessas condições. Nos EUA, há 37 milhões de diabéticos, quase metade dos adultos com hipertensão e baixa adesão à atividade física. No Brasil, com 17 milhões de diabéticos, 30 milhões hipertensos e 22,4% da população com obesidade, o cenário é igualmente preocupante, com menos da metade da população praticando exercícios regularmente.

Importância da detecção precoce

O especialista destaca que o Alzheimer afeta cerca de 10% dos idosos acima de 65 anos e que os sintomas podem levar até 20 anos para se manifestar, oferecendo uma janela para intervenções precoces. Além disso, identificou sinais prodrômicos em doenças como Parkinson, que podem ser detectados antes do surgimento dos sintomas clássicos.

Para Dodick, o check-up cerebral deve incluir exames laboratoriais, imagens neurovasculares e avaliações de funções sensoriais, motoras e cognitivas, além da análise da qualidade do sono, considerado por ele um fator de risco tratável.

Tratamentos e recomendações integradas

O médico ressaltou o potencial neuroprotetor de medicamentos utilizados no tratamento do diabetes, como a metformina e os inibidores SGLT2, que podem reduzir o risco de Alzheimer. Ele também enfatizou o valor do treinamento cognitivo para a manutenção das funções cerebrais.

Por fim, Dodick defende uma abordagem integrada entre as áreas de diabetes, cardiologia e neurologia, superando a fragmentação da medicina atual para promover estratégias mais eficazes no combate ao declínio cognitivo.