A administração dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (6) a imposição de tarifas de 15% e preços mínimos para a importação de produtos derivados de polissilício, insumo essencial na fabricação de semicondutores e painéis solares. A medida, fundamentada na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, visa proteger a indústria nacional diante da concorrência internacional, especialmente da China.
O polissilício, uma forma altamente purificada de silício, é utilizado na produção de lâminas que compõem células solares e componentes eletrônicos, incluindo chips para inteligência artificial. Os preços mínimos definidos pela Casa Branca são de US$ 21 por quilograma para o polissilício, US$ 100 por quilograma para lingotes e lâminas, US$ 0,22 por watt para células solares e US$ 0,38 por watt para módulos solares. As medidas entram em vigor a partir de 4 de dezembro.
Incentivos e impacto na indústria nacional
Além das tarifas, o governo autorizou o Departamento de Comércio a estabelecer um programa de incentivos para empresas que investirem na fabricação doméstica de polissilício e seus derivados. Segundo comunicado oficial, essa estratégia tem como objetivo assegurar a viabilidade econômica da produção nacional, atendendo a demandas tanto econômicas quanto de segurança nacional.
As fabricantes americanas do setor solar denunciam há anos práticas de dumping por concorrentes chineses, além de subsídios considerados injustos e estratégias para contornar barreiras tarifárias. Atualmente, os Estados Unidos contam com duas fábricas de polissilício: uma em Michigan, operada pela joint venture Hemlock Semiconductor (Corning e Shin-Etsu Handotai), e outra no Tennessee, da Wacker Chemie.
A dependência da indústria de semicondutores em relação ao setor solar é significativa, já que a demanda crescente por polissilício na energia solar contribui para a sustentabilidade da produção do material necessário para chips eletrônicos. A Semiconductor Industry Association aponta que a fabricação de semicondutores representa 2,4% da demanda mundial por polissilício.
Desde a aprovação de incentivos fiscais em 2022, a capacidade produtiva da indústria solar nos EUA tem aumentado, embora grande parte do crescimento tenha se concentrado na montagem de painéis, mantendo a dependência da importação de wafers e células, cuja fabricação exige investimentos mais prolongados.
