PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO terça-feira, 1 de setembro de 2026
Brasil

Estudo Avalia Impactos do Ruído Ambiental na Comunicação de Golfinhos em Fernando de Noronha

Pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, iniciaram um estudo para analisar a interferência dos ruídos antropogênicos na comunicação dos golfinhos em Fernando de Noronha. Para isso, foi instalado um hidrofone no Porto de Santo Antônio, área que apresenta intensa atividade humana, com o objetivo de captar e examinar os sons emitidos por esses mamíferos marinhos.

O projeto compara os registros acústicos obtidos no Porto de Santo Antônio com aqueles coletados na Baía dos Golfinhos, uma região protegida e com mínima presença humana. Segundo o professor Raul Ribeiro, especialista em bioacústica de cetáceos e coordenador da organização não governamental Ocean Sound, essa comparação é fundamental para entender como o ruído gerado por embarcações e outras atividades impacta o comportamento acústico dos golfinhos.

Ribeiro destaca que a poluição sonora causada por atividades humanas, muitas vezes invisível, pode comprometer funções essenciais dos cetáceos, como comunicação, alimentação e estratégias de evasão de predadores. Essa exposição contínua a ruídos exige adaptações biológicas que podem representar um custo significativo para a espécie no médio e longo prazo.

O estudo contempla a gravação de diferentes tipos de comunicação entre os golfinhos, incluindo interações entre mães e filhotes, comportamentos agonísticos e sinais relacionados à reprodução. Os equipamentos utilizados possuem bateria de longa duração, garantindo a captação de dados 24 horas por dia, durante um período de aproximadamente um mês e meio no Porto de Santo Antônio e quatro meses na Baía dos Golfinhos.

Os dados coletados serão analisados para gerar informações científicas que possam contribuir para a conservação marinha em Fernando de Noronha. A pesquisa conta com o acompanhamento do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) e o apoio da operadora Atlantis, reforçando o compromisso institucional com a proteção do ecossistema local.