PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO terça-feira, 1 de setembro de 2026
Brasil

Registro Inédito de Golfinhos-Pintados em Fernando de Noronha Durante o Período Chuvoso

Um grupo de aproximadamente 30 golfinhos-pintados-pantropicais (Stenella attenuata) foi registrado na região conhecida como mar de dentro, localizada entre a Praia da Cacimba do Padre e a Baía de Santo Antônio, em Fernando de Noronha. Este é o primeiro registro da espécie no arquipélago durante o período chuvoso, conforme relatado por pesquisadores envolvidos no monitoramento local.

O avistamento foi inicialmente documentado pelo marinheiro Ian Chacal durante uma atividade de pesca de atum. Além desta evidência, tripulantes de embarcações da ilha também relataram a presença dos golfinhos-pintados, indicando que o fenômeno foi observado por múltiplas fontes.

Contexto e Importância do Avistamento

Fernando de Noronha é reconhecido como um ambiente privilegiado para a observação de cetáceos devido às suas características geográficas, que incluem áreas profundas denominadas ‘paredes’ e águas protegidas contra ventos e correntes. Essas condições favorecem a presença de espécies pelágicas, como os golfinhos-pintados-pantropicais.

Embora os golfinhos-rotadores (Stenella longirostris) sejam os cetáceos mais comuns no arquipélago, os golfinhos-pintados-pantropicais constituem a quinta espécie mais avistada na região, atrás de golfinhos-rotadores, baleias-jubarte, golfinhos-nariz-de-garrafa e baleias-piloto.

Interações e Pesquisa Científica

O Projeto Golfinho Rotador, que acompanha a população de golfinhos em Fernando de Noronha desde 1990 com apoio do Programa Petrobras Socioambiental, registrou em 32 ocasiões a presença de grupos mistos entre golfinhos-rotadores e golfinhos-pintados na área conhecida como mar de fora, voltada para o continente africano. Essa convivência entre espécies pode estar relacionada a estratégias de proteção durante a alimentação.

Além disso, estudos indicam a possibilidade de cruzamento entre essas espécies geneticamente próximas. Um golfinho híbrido, presumidamente resultado dessa interação, foi observado pela primeira vez ainda filhote em 2000 e acompanhado em diversas ocasiões até 2002, reforçando a complexidade das dinâmicas populacionais no arquipélago.