O governo dos Estados Unidos determinou a ampliação temporária da cota de importação de carne bovina por um período de 90 dias, com o objetivo de ampliar a oferta no mercado interno e tentar conter a alta dos preços, especialmente da carne moída utilizada na produção de hambúrgueres. A medida foi anunciada pelo presidente Donald Trump em rede social, sem detalhar quais países serão contemplados ou os critérios para a aplicação da nova regra.
Segundo o comunicado oficial, o país permitirá a importação de até 300 mil toneladas de carne para processamento em carne moída sem a incidência de tarifas adicionais, buscando tornar o produto até 25% mais acessível ao consumidor final. A iniciativa ocorre em meio a um cenário de preços elevados e oferta restrita, consequência da redução do rebanho bovino norte-americano ao menor patamar em 75 anos.
Contexto do mercado bovino nos EUA
A escassez e o aumento de custos refletem a queda na produção de carne devido à diminuição do rebanho e ao aumento do preço do gado, que atingiu níveis recordes. Além disso, desde 2025, os Estados Unidos restringem a entrada de gado mexicano em razão de preocupações sanitárias relacionadas à bicheira-do-Novo-Mundo, o que contribui para a limitação da oferta doméstica.
Os consumidores americanos têm sentido o impacto direto dessa conjuntura, com o preço da carne moída atingindo US$ 6,82 por libra (aproximadamente 453 gramas) em junho de 2026, um aumento de 79% em relação a 2019, segundo dados do Bureau of Labor Statistics. Especialistas indicam que o efeito da ampliação da cota sobre os preços ao consumidor dependerá da resposta das indústrias locais, podendo ajudar a conter novas elevações e reduzir custos de produção.
Possíveis impactos para o Brasil
O Brasil, que atualmente é o segundo maior fornecedor de carne bovina para os Estados Unidos, pode ser beneficiado pela ampliação da cota, desde que incluído nas novas condições. Atualmente, a carne brasileira entra no mercado americano por meio de uma cota compartilhada com outros países, que normalmente se esgota nos primeiros meses do ano, após o que as exportações passam a ser tributadas com tarifa extra-cota de 26,4%.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) ainda aguarda informações oficiais para avaliar os impactos da medida. A expectativa é que, caso o Brasil seja contemplado, haja maior competitividade e possibilidade de ampliar os embarques ao mercado norte-americano, especialmente em um momento em que as exportações brasileiras para a China, seu maior cliente, apresentam retração devido a limitações de cotas.
De janeiro a julho de 2026, o Brasil exportou 233,8 mil toneladas de carne bovina para os Estados Unidos, valor 17,1% superior ao mesmo período do ano anterior, gerando receita de US$ 1,54 bilhão, conforme dados da Abiec. Cerca de 50 plantas frigoríficas brasileiras estão habilitadas para exportação ao mercado americano.
