A Fazenda da Esperança inaugurou sua primeira unidade no estado do Amapá, localizada na zona rural de Macapá, com o objetivo de oferecer tratamento a dependentes químicos e pessoas com outros tipos de vícios, como jogos e compulsão. A cerimônia de abertura contou com missa presidida pelo bispo Dom Pedro Conti e atividades beneficentes para arrecadação de recursos.
O espaço, acessado por um ramal da Rodovia AP-010, dispõe de alojamentos, áreas de convivência e salas para orientações. Inicialmente, a unidade tem capacidade para atender até seis pessoas simultaneamente, com previsão de ampliação nos próximos meses. O ingresso no programa é voluntário e requer que os interessados enviem uma carta solicitando ajuda, reafirmando o compromisso pessoal com o tratamento.
Metodologia e estrutura de apoio
A abordagem adotada pela Fazenda da Esperança enfatiza o amor, o respeito e a palavra como instrumentos para promover a recuperação e reinserção dos pacientes. Segundo Marco Antônio Alves, ex-dependente e responsável pela unidade local, o trabalho é realizado por voluntários que também passaram pela experiência da dependência, criando um ambiente de acolhimento e compreensão.
Além das atividades terapêuticas, o projeto prevê a autossustentação da comunidade por meio da produção própria de alimentos e outros itens consumidos no local. As atividades incluem padaria, horta, criação de animais e cultivo, além de momentos de convivência e lazer, que contribuem para a rotina dos participantes. Atualmente, a unidade atende exclusivamente homens.
Integração a rede internacional
A Fazenda da Esperança no Amapá integra uma rede global presente em 137 unidades distribuídas em 22 países. Essa articulação permite a troca de experiências entre comunidades e a continuidade no tratamento de pacientes que, após o período de recuperação, tornam-se voluntários. É o caso de Ângelo Gonçalves, natural de Cabo Verde, que veio ao Brasil para concluir seu tratamento e planeja seguir colaborando com outras pessoas afetadas pelo vício.
Gonçalves destacou a importância do reconhecimento da dignidade humana no processo de recuperação e a melhora significativa em seu comportamento desde que ingressou na Fazenda da Esperança, reforçando o potencial do modelo para o contexto local.
