O Ministério da Justiça enviou um ofício ao TikTok solicitando, em um prazo de cinco dias, esclarecimentos sobre a circulação de uma trend que simula reações violentas contra mulheres em caso de recusa de pedidos de namoro ou casamento. A iniciativa ocorre em meio ao aumento dos registros de violência de gênero no país.
De acordo com o documento, assinado pelos secretários de Direitos Digitais, Segurança Pública e Defesa do Consumidor, o TikTok tem a responsabilidade de agir prontamente para retirar conteúdos que promovam violência, independentemente de solicitação formal das autoridades. O governo aponta que a disseminação massiva desses vídeos pode indicar falhas sistêmicas na moderação da plataforma.
Solicitações do Ministério da Justiça
O ofício requer que o TikTok detalhe as medidas técnicas e organizacionais adotadas para identificar e remover conteúdos misóginos de forma proativa. Além disso, solicita informações sobre a utilização de sistemas automatizados para monitoramento de tendências com potencial conteúdo ilícito, a auditoria dos algoritmos de recomendação e impulsionamento de vídeos, e dados relacionados à monetização ou patrocínio desses materiais.
Em resposta, o TikTok afirmou ter iniciado a remoção dos vídeos ainda no fim de semana anterior e afirmou que a maior parte do conteúdo investigado já havia sido retirada antes da notificação da Polícia Federal. A empresa reafirmou seu compromisso com a moderação rigorosa, destacando que não tolera discurso ou comportamento de ódio na plataforma.
Contexto e investigação
A trend, que utiliza a frase “treinando caso ela diga não”, apresenta vídeos nos quais homens encenam reações agressivas diante da possibilidade de rejeição, incluindo simulações de violência física. A Polícia Federal já abriu inquérito e derrubou perfis relacionados, enquadrando os responsáveis por possível incitação ao crime.
O episódio ocorre em um cenário preocupante para a segurança das mulheres no Brasil, que registrou 1.470 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica, segundo dados oficiais do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A facilidade de reprodução do formato contribui para sua ampla disseminação nas redes sociais desde 2023.
