PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO quarta-feira, 22 de julho de 2026
Brasil

Pesquisa destaca desafios e adaptações no cuidado a pessoas com deficiência nos EUA

Laura Mauldin, professora de sociologia da Universidade de Connecticut, desenvolve pesquisas que analisam a interação entre ciência, tecnologia e medicina na sociedade, com foco nas experiências cotidianas de pessoas com deficiência e seus cuidadores. Segundo Mauldin, esse grupo enfrenta preconceitos e falta de reconhecimento social, o que impacta diretamente a qualidade do cuidado oferecido.

Antes da pandemia, Mauldin pretendia realizar um levantamento presencial das adaptações residenciais para indivíduos com limitações, incluindo doenças crônicas. Com as restrições impostas pela quarentena, o projeto foi adaptado para entrevistas por vídeo e envio de imagens, o que revelou soluções inovadoras e pouco visibilizadas no ambiente doméstico. Essas adaptações foram organizadas no site Disability at Home, que apresenta modificações simples, porém eficazes, como etiquetas nos armários para facilitar a identificação de objetos por pessoas com demência e acessórios acoplados a cadeiras de rodas para transporte de objetos dentro de casa.

Contexto dos cuidadores informais

Estima-se que cerca de 24% dos americanos com idades entre 45 e 64 anos atuem como cuidadores informais, geralmente sem remuneração e com recursos limitados para lidar com os desafios diários. Paralelamente, menos de 5% das residências são totalmente acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida moderada, evidenciando um déficit estrutural no ambiente domiciliar.

A experiência pessoal de Mauldin também contribui para sua compreensão do tema: aos 27 anos, ela assumiu o cuidado da namorada com leucemia, que enfrentou complicações graves após um transplante de medula óssea. Em 2025, a pesquisadora lançará o livro “Care Nation”, que aborda a ausência de suporte adequado a pessoas com deficiência e seus cuidadores.

Em entrevista, Mauldin ressaltou que a desvalorização dos cuidadores está diretamente relacionada à falta de reconhecimento das pessoas sob seus cuidados, indicando uma crise que envolve empatia e preconceito contra indivíduos doentes e com deficiência. Essa análise visa ampliar o debate sobre políticas públicas e sociais que promovam maior inclusão e suporte a essa parcela significativa da população.