PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO segunda-feira, 27 de julho de 2026
Brasil

Presença de tubarões-limão em Fernando de Noronha destaca preservação ambiental do arquipélago

Imagens capturadas na Praia da Conceição, em Fernando de Noronha, registraram a presença de tubarões-limão próximos à areia, um comportamento pouco observado em outras regiões do litoral brasileiro. O registro foi feito pelo guia local Felipe Rogério Silva, no final de janeiro, e analisado pela bióloga Bianca Rangel, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) e integrante da ONG Sea Shepherd Brasil.

Segundo a especialista, a concentração desses tubarões no raso é comum no arquipélago devido à conservação ambiental da área, que oferece condições favoráveis para a alimentação desses animais. Ela ressalta que, apesar da proximidade com a orla, não há necessidade de preocupação imediata para os banhistas.

Comparação com a Região Metropolitana do Recife

Bianca Rangel destacou as diferenças entre a situação em Fernando de Noronha e a Região Metropolitana do Recife, onde ocorreram recentes ataques de tubarão. Na região metropolitana, os incidentes são mais frequentes, atribuídos a fatores como a degradação ambiental e a complexidade dos ecossistemas locais. Em contraste, o ambiente preservado de Noronha facilita a presença natural dos tubarões-limão, sem representar maior risco à população.

Espécies e comportamento

A bióloga esclareceu que as espécies observadas em Noronha são diferentes daquelas envolvidas nos ataques em Pernambuco. Enquanto em Noronha predominam os tubarões-limão (Negaprion brevirostris), no Recife os incidentes envolveram tubarões-touro (Carcharhinus leucas) e tubarões-tigre (Galeocerdo cuvier), espécies de maior porte e comportamento mais generalista na alimentação.

Percepção pública e pesquisa

Uma pesquisa conduzida pela ONG Sea Shepherd Brasil revelou que 98% dos turistas consideram seguro visitar Fernando de Noronha, mesmo com a presença dos tubarões. O levantamento indicou que a maioria apoia a criação do arquipélago como santuário para essas espécies e rejeita o abate como medida de segurança. A coordenadora do projeto Tubarões e Raias de Noronha, Bianca Rangel, interpretou esses dados como um sinal positivo de conscientização e valorização do ecoturismo na região.

A pesquisa foi realizada entre maio e setembro de 2022, com entrevistas abrangendo turistas e moradores locais, reforçando a importância da preservação ambiental como fator determinante para a coexistência entre humanos e tubarões no arquipélago.