PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO quarta-feira, 15 de abril de 2026
Economia

Shell ajusta projeção de produção de gás em meio a instabilidades no Oriente Médio

A Shell anunciou uma redução na previsão de produção integrada de gás para o primeiro trimestre, estimando entre 880 mil e 920 mil barris de óleo equivalente por dia, abaixo da projeção anterior que variava de 920 mil a 980 mil barris. Essa revisão ocorre em um contexto de instabilidade no Oriente Médio, especialmente em decorrência da guerra no Irã, que tem afetado o mercado global de energia.

Um dos fatores que influenciaram essa queda foi o impacto nos ativos da empresa, como a unidade de produção de gás Pearl, no Catar, que poderá levar cerca de um ano para ser totalmente reparada após interrupções. Essa situação, somada à volatilidade dos preços das commodities, provocou oscilações significativas nos valores dos estoques da Shell, resultando em um capital de giro negativo estimado entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões no trimestre.

Apesar desses desafios, a Shell projeta que o aumento nas operações de comercialização de petróleo e nos resultados da divisão de produtos químicos e marketing compensará parcialmente as perdas na produção de gás. Analistas financeiros, como os do RBC e do UBS, revisaram para cima suas estimativas de lucro líquido e fluxo de caixa operacional da companhia para o período, refletindo expectativas de desempenho positivo em outras áreas do negócio.

A perspectiva para a produção de gás natural liquefeito (GNL) permanece alinhada às projeções anteriores, com restrições em algumas regiões, como Austrália e Catar, sendo contrabalançadas por incrementos no Canadá. A Shell planeja divulgar os resultados completos do trimestre no dia 7 de maio, o que deverá trazer mais detalhes sobre o impacto das condições atuais no desempenho da empresa.

O cenário geopolítico, marcado por ataques e bloqueios no Estreito de Ormuz, elevou o preço do petróleo Brent para níveis próximos a US$ 120 por barril, influenciando diretamente a dinâmica do mercado e as operações da Shell. A empresa espera que as oscilações no capital de giro possam se reverter caso haja uma redução nos preços do petróleo e gás nos próximos meses.