O recente bloqueio do Estreito de Ormuz, importante rota marítima para o transporte de petróleo, tem provocado preocupações no mercado financeiro internacional, com repercussões diretas sobre os preços da commodity e, consequentemente, dos combustíveis no Brasil.
Especialistas destacam que o estreito concentra uma parcela significativa do fluxo global de petróleo, tornando qualquer interrupção nessa via um fator crítico para o abastecimento mundial. A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que culminou na restrição do tráfego na região, passou a ser um elemento central na formação dos preços internacionais do petróleo, segundo Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.
Antes projetados entre US$ 75 e US$ 85 por barril para 2026, os valores do petróleo Brent passaram a ser revisados para uma faixa de US$ 85 a US$ 95, refletindo a precificação do risco de interrupção do fornecimento. A CEO ressalta que o mercado reage antecipadamente a essas incertezas, elevando os preços mesmo antes de uma eventual crise efetiva.
Impactos no Brasil
Embora não haja previsão de desabastecimento de combustíveis no país, o aumento dos preços internacionais já exerce pressão sobre a inflação brasileira, especialmente no setor de transportes. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a inflação de março foi impulsionada em grande parte pela alta nos preços dos combustíveis, que subiram 4,59% no período.
Felipe Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, destaca que o cenário de preços elevados deve se prolongar, o que pode intensificar os efeitos inflacionários caso o conflito no Oriente Médio persista. A alta do diesel, em particular, tem impacto indireto sobre toda a cadeia de distribuição, ampliando os custos para o consumidor final.
Perspectivas e dinâmica dos preços
De acordo com Olívia Flôres de Brás, o efeito sobre os preços domésticos depende da duração das tensões internacionais. Movimentos pontuais no preço do petróleo não provocam mudanças imediatas nos combustíveis, mas a manutenção de valores elevados no médio e longo prazo tende a ser repassada ao consumidor, seja diretamente nos preços nas bombas ou via inflação.
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registraram aumentos significativos no preço do diesel desde o início do conflito, com uma leve redução recente, embora os valores permaneçam elevados. A gasolina também apresentou redução marginal, mas igualmente mantém preços acima da média histórica.
