PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 26 de abril de 2026
Brasil

Influenciadores promovem sachês de nicotina sintética como auxílio para desempenho físico nos EUA

Nos Estados Unidos, influenciadores digitais ligados ao segmento de bem-estar têm divulgado o uso de sachês de nicotina sintética, também conhecidos como snus, como um recurso para potencializar o desempenho durante atividades físicas. Essa prática ganha destaque em um contexto de redução das taxas de tabagismo no país, mas suscita preocupações em relação aos riscos à saúde.

Os sachês são pequenos pacotes contendo nicotina sintética aromatizada, cuja comercialização é proibida no Brasil, embora anúncios do produto possam ser encontrados em redes sociais. Diferentemente do uso tradicional do tabaco, os usuários buscam associar o consumo da nicotina a benefícios como aumento do foco, da concentração e da performance, especialmente em ambientes esportivos.

Estratégias de marketing e percepção do produto

Marcas ligadas à indústria do tabaco, como a Zyn, pertencente à Philip Morris International, adotam campanhas que associam implicitamente o uso dos sachês a estilos de vida ativos e saudáveis, exibindo imagens de pessoas praticando esportes ao ar livre. Por sua vez, startups do setor apresentam o produto como um estimulante natural, argumentando que a nicotina está presente em pequenas quantidades em alimentos como tomates e berinjelas, ainda que esses níveis sejam insignificantes para efeitos fisiológicos.

Essa narrativa tem ganhado adesão, sobretudo entre jovens, que encontram na nicotina uma suposta ferramenta para melhorar o desempenho acadêmico e físico. Entretanto, especialistas alertam para a alta capacidade de dependência do composto e para os efeitos adversos, como aumento da pressão arterial, elevação da frequência cardíaca, lesões na mucosa bucal e no esôfago, além de processos inflamatórios e estresse oxidativo.

Além disso, o uso desses produtos não é recomendado para quem busca abandonar o tabagismo, contrariando algumas percepções difundidas nas redes sociais. O fenômeno evidencia a complexidade da regulação e do controle sobre novos formatos de consumo de nicotina, especialmente em ambientes digitais e entre públicos jovens.