PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 26 de abril de 2026
Brasil

Abordagens não farmacológicas para o cuidado de pacientes com demência reduzem custos e melhoram qualidade de vida

Pesquisadores da Brown University avaliaram quatro intervenções não medicamentosas voltadas ao cuidado de pacientes com demência, identificando benefícios significativos em comparação ao tratamento convencional baseado principalmente em medicamentos. O estudo, publicado recentemente na revista Alzheimer’s & Dementia: The Journal of Alzheimer’s Association, aponta redução de custos em até US$ 13 mil por paciente, diminuição nas admissões em instituições de longa permanência e melhora na qualidade de vida dos envolvidos.

Essas abordagens têm como foco principal a maximização da autonomia dos pacientes em suas residências, bem como o apoio e aconselhamento direcionados aos cuidadores. Entre os programas analisados estão o Maximizing Independence at Home, o New York University Caregiver, o Alzheimer’s and Dementia Care e o Adult Day Service Plus. Cada um oferece estratégias específicas para lidar com as limitações progressivas causadas pela doença, favorecendo um ambiente mais acolhedor e adaptado às necessidades do idoso.

Desafios cotidianos e estratégias para reduzir o estresse

Pacientes com demência frequentemente apresentam comportamentos que podem ser interpretados como agressivos, reflexo de frustrações geradas pela dificuldade em realizar atividades diárias simples, que para pessoas cognitivamente saudáveis são automáticas. Tarefas como escovar os dentes envolvem múltiplas etapas que, no contexto do declínio cognitivo, podem se tornar complexas e angustiantes.

Para minimizar o estresse e a frustração, especialistas recomendam ajustes no cotidiano desses pacientes. Entre as orientações estão a aceitação das limitações e a adaptação das expectativas, simplificação das escolhas apresentadas para evitar sobrecarga, redução do ritmo das atividades para respeitar o tempo necessário de processamento, e a manutenção de um ambiente calmo e previsível, incluindo a organização estável dos objetos pessoais.

Comunicação clara, pausada e segmentada, evitando o excesso de tarefas e o cansaço, também contribuem para o bem-estar. Além disso, é fundamental minimizar dores e desconfortos, que podem ser difíceis de expressar por pacientes com demência, e adaptar as atividades diárias para garantir que tenham sucesso, como o uso de roupas e utensílios facilitadores. O respeito contínuo à dignidade do indivíduo permanece como princípio central em todas as abordagens.