PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO sábado, 13 de junho de 2026
Economia

Brasil antecipa nova sobretaxa dos EUA sobre produtos relacionados a trabalho forçado

O governo brasileiro já previa a possibilidade de uma nova sobretaxa por parte dos Estados Unidos sobre produtos importados relacionados a trabalho forçado. A medida, que pode elevar a tarifa para aproximadamente 37,5%, soma-se à taxa de 25% anunciada recentemente, aproximando-se dos 40% aplicados no ano anterior.

Representantes do Executivo indicam que a estratégia de defesa seguirá o mesmo modelo adotado na contestação da tarifa inicial, priorizando negociações diplomáticas até o término da investigação conduzida pelas autoridades americanas. Em abril, o Brasil apresentou uma resposta técnica que destacou ações nacionais no combate ao trabalho escravo, incluindo a criação da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo em 2003 e a implementação da chamada “Lista Suja”, ferramenta que restringe o acesso a financiamentos públicos para empregadores flagrados em práticas ilegais.

Agenda diplomática e perspectivas

Na quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou de um evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em Paris, onde esteve presente também o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. Embora não haja um encontro formal agendado entre os dois, fontes próximas ao ministro indicam que haverá tentativa de diálogo para abordar o tema da sobretaxa.

O governo brasileiro mantém a posição de que a decisão americana tem caráter político, reiterando o compromisso com as políticas públicas nacionais voltadas ao enfrentamento do trabalho escravo e à proteção dos direitos trabalhistas.