Durante a cúpula do G7 realizada na França, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O encontro teve como foco principal a recente decisão da União Europeia de vetar as exportações brasileiras de carne a partir de setembro de 2026.
Negociações e acordos bilaterais
Segundo comunicado oficial do Palácio do Planalto, as partes acordaram a criação de um mecanismo bilateral envolvendo o Itamaraty e representantes da Comissão Europeia. O objetivo é identificar e superar as dificuldades existentes tanto na área de produtos de origem animal quanto nos setores siderúrgicos.
Os líderes comprometeram-se a buscar soluções que conciliem as preocupações da União Europeia — relacionadas a questões sanitárias, fitossanitárias e à proteção da indústria do aço — com os interesses legítimos do Brasil como exportador, conforme previsto no acordo Mercosul-União Europeia.
Contexto do veto europeu
Em junho, a União Europeia oficializou a exclusão do Brasil da lista de países que cumprem as normas do bloco quanto ao uso de antimicrobianos na pecuária. Tal medida impede a exportação de carne bovina, de frango, de cavalo, além de tripas, peixe e mel para o mercado europeu a partir do dia 3 de setembro de 2026.
Os antimicrobianos são utilizados para prevenir e tratar infecções em animais, e alguns também funcionam como promotores de crescimento, o que motivou a revisão das autorizações de exportação pela UE.
Outras agendas na cúpula do G7
Além do diálogo com líderes europeus, o presidente Lula manteve reunião bilateral com a primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae, para discutir o fortalecimento dos laços comerciais e econômicos entre o Mercosul e o Japão. O encontro abordou o Marco de Parceria Estratégica firmado em dezembro do ano anterior e o lançamento das negociações para um Acordo de Parceria Econômica, previsto para ser formalizado na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Assunção.
O G7, composto pelas principais economias avançadas do mundo, incluindo Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Japão e a União Europeia, funciona como um fórum político para debates globais sobre economia, segurança, clima e conflitos internacionais. O presidente Lula participa como convidado nesta edição.
