O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção para entregar uma nota oficial em resposta às recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito da Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança. O conflito, ocorrido entre 1864 e 1870, é considerado o mais sangrento da história da América do Sul e resultou na morte de aproximadamente 60% a 70% da população paraguaia da época.
Contexto histórico do conflito
O confronto envolveu o Paraguai contra uma aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. Originado em meio a tensões políticas na região do Rio da Prata, o conflito teve início após a intervenção militar brasileira no Uruguai em 1864, que foi considerada uma ameaça pelo então líder paraguaio Francisco Solano López. Em reação, López declarou guerra ao Brasil e ordenou a invasão de territórios brasileiros e argentinos, desencadeando um conflito que durou quase seis anos e resultou em batalhas de grande intensidade, como a de Tuiuti, em 1866.
O desfecho da guerra ocorreu em março de 1870, com a morte de Solano López em Cerro Corá e a ocupação da capital Assunção por tropas brasileiras em janeiro do mesmo ano. As consequências foram severas para o Paraguai, incluindo destruição de infraestrutura, perda territorial e uma crise demográfica profunda.
Reação diplomática e repercussão atual
Na última sexta-feira (24), durante um discurso em Jacareí (SP), o presidente Lula mencionou a Guerra do Paraguai ao defender investimentos em defesa nacional, afirmando que o Brasil valoriza a paz, mas não pode esquecer o conflito que envolveu o Paraguai invadindo o Brasil, o Uruguai e a Argentina. Essas declarações foram interpretadas pelo governo paraguaio como uma distorção da história e um desrespeito ao sofrimento do povo paraguaio.
O chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, declarou que a dignidade nacional será defendida e que o tema foi tratado em diálogo entre os presidentes dos dois países. Em coletiva, Ramírez Lezcano ressaltou a sensibilidade do episódio para o Paraguai e afirmou que o governo paraguaio está atento ao assunto no mais alto nível.
Além disso, a Câmara dos Deputados do Paraguai emitiu uma nota oficial repudiando as declarações do presidente brasileiro, afirmando que elas minimizam a complexidade e as consequências históricas da guerra para o Paraguai.
