O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou Antonio Carlos Berwanger, servidor de carreira da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para ocupar a vaga remanescente na diretoria da autarquia. A nomeação foi formalmente encaminhada ao Senado Federal e publicada no Diário Oficial da União no dia 4 de agosto.
Berwanger, que atua como superintendente de Desenvolvimento de Mercado desde 2015, ainda passará por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos e dependerá da aprovação do plenário do Senado para assumir o cargo. A indicação corresponde à vaga aberta com o término do mandato do atual diretor Otto Lobo em dezembro de 2025.
Contexto da indicação e composição da diretoria
Otto Lobo, que deixou a diretoria para assumir a presidência da CVM em junho, foi nomeado pelo presidente Lula após um período de atuação interina marcada por questionamentos. Na mesma ocasião, o advogado Igor Muniz assumiu uma das diretorias. Com a eventual aprovação de Berwanger, o colegiado da CVM, composto por cinco membros, ficará completo.
A escolha de Berwanger ocorre em meio a controvérsias envolvendo decisões tomadas por Otto Lobo durante sua gestão interina, especialmente no caso envolvendo a Ambipar e fundos vinculados ao Banco Master. A área técnica da CVM havia identificado que os fundos agiram em conjunto com o controlador da empresa na aquisição de ações, recomendando a realização de uma oferta pública de aquisição (OPA) para acionistas minoritários. O julgamento terminou empatado e, utilizando o voto de qualidade, Otto decidiu contra a exigência da OPA, decisão que foi questionada pela Procuradoria Federal Especializada da CVM por possível fragilidade jurídica.
Perfil de Antonio Carlos Berwanger
Antonio Carlos Berwanger é servidor da CVM desde 2005, com passagem por áreas de fiscalização, processos sancionadores e normativos. Economista formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, também possui graduação em Direito pela Universidade Cândido Mendes, mestrado em Direito da Regulação pela Fundação Getulio Vargas e especialização em regulação de fintechs pela Cambridge Judge Business School.
Internamente, Berwanger é reconhecido pela expertise em inovação e ativos digitais. Em maio, integrou um grupo de 27 membros da cúpula da CVM que defendiam a indicação de um servidor de carreira para a vaga restante no colegiado, destacando a importância da preservação da memória regulatória e da estabilidade das decisões da autarquia.
