Um terremoto de magnitude 7,4 ocorrido na Colômbia no dia 10 de agosto provocou sérios transtornos na cadeia produtiva e de exportação de café, terceiro maior produto do país e um dos mais relevantes no mercado global. A interrupção das principais vias de acesso ao porto de Buenaventura, que concentra mais de 60% das exportações de café colombiano, tem causado atrasos significativos no escoamento da produção.
A Colômbia, reconhecida pela produção de café arábica lavado de alta qualidade, exportou aproximadamente 13 milhões de sacas na safra 2024/25. O impacto do desastre natural atinge não apenas as áreas diretamente afetadas, mas também as instalações de processamento localizadas em regiões como Manizales, Pereira, Armenia e Cartago, dificultando a movimentação do produto até os portos.
Repercussões logísticas e econômicas
Bloqueios e deslizamentos nas estradas essenciais têm impedido o transporte das cargas, criando um gargalo que, segundo estimativas da Associação Nacional de Exportadores de Café (Asoexport), pode representar mais de 1.000 contêineres e 600 veículos retidos em uma semana de paralisação. A falta de caminhões e as condições precárias das rotas alternativas, especialmente na costa do Caribe, agravam a situação, limitando a capacidade de exportação e afetando a cadeia produtiva desde os agricultores até as empresas exportadoras.
O mercado internacional já demonstra reação diante dessa conjuntura. Na Bolsa de Nova York, referência global para o preço do café arábica, os contratos para setembro registraram alta de 1,04%, refletindo a preocupação com a oferta global, que também enfrenta desafios relacionados ao fenômeno climático El Niño.
Medidas e impactos sociais
Em resposta, a Asoexport trabalha em conjunto com o governo colombiano para restabelecer os corredores de transporte e diversificar os portos utilizados, priorizando terminais na costa do Caribe, como Cartagena, Santa Marta e Puerto Antioquia. Paralelamente, a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia (FNC) realiza levantamentos sobre os danos nas áreas produtoras, que afetaram residências, propriedades e infraestrutura rural em departamentos-chave do Eixo Cafeeiro.
Mais de 150 famílias de produtores foram identificadas como impactadas no Quindío, uma das principais regiões cafeeiras. As entidades locais mobilizam equipes para avaliar os prejuízos e garantir a continuidade da assistência técnica e a compra do café, buscando minimizar os efeitos econômicos e sociais do desastre.
Os exportadores mantêm contato com os compradores internacionais para informar sobre possíveis atrasos, evitando interpretações equivocadas sobre a capacidade produtiva ou comercial das empresas. A normalização das exportações dependerá da recuperação das infraestruturas e da efetividade das rotas alternativas adotadas.
