Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal, em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, resultou na desarticulação de um grupo que articulava, por meio de plataformas digitais, ataques violentos contra prédios públicos em Brasília, incluindo o Palácio do Planalto.
As investigações apontaram que os integrantes, que nunca se encontraram pessoalmente, utilizavam grupos fechados no aplicativo Telegram para trocar informações sobre a fabricação de explosivos, disseminação de discursos de ódio e planejamento de atentados. Um dos alvos mencionados era o local onde ocorreria o debate entre os candidatos do segundo turno das eleições.
Monitoramento e evidências
O monitoramento das comunicações revelou a existência de dois grupos, um deles com mais de 600 membros e outro restrito a 46 participantes, onde eram compartilhados manuais para construção de artefatos explosivos e coquetéis molotov, além de cálculos de quantidades e custos para os ataques. O conteúdo também incluía ideologia neonazista, misoginia e incitação à violência.
De acordo com o delegado responsável, os suspeitos possuíam mapas detalhados de edifícios como o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto, incluindo plantas baixas que indicavam possíveis rotas de entrada e saída para a invasão dos locais.
Desdobramentos da ação policial
Na última terça-feira, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em oito cidades de cinco estados diferentes. Os investigados responderão por crimes como associação criminosa, apologia ao nazismo e incitação ao crime. A análise dos dispositivos eletrônicos apreendidos está em andamento para aprofundar a investigação.
O ministro da Justiça destacou a gravidade do caso e alertou para a necessidade de não subestimar comportamentos que ameaçam a democracia e o pluralismo. Ele ressaltou o papel do Ciberlab, laboratório especializado em crimes cibernéticos, responsável por identificar e monitorar grupos que propagam ódio e violência na internet.
Segundo o Ciberlab, somente em 2026 foram produzidos mais de 100 relatórios sobre grupos extremistas, evidenciando a persistência desses movimentos e a importância da vigilância contínua das autoridades.
