Uma pesquisa conduzida pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), por meio do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, avaliou a eficácia do uso de laser de baixa potência para a recuperação do paladar em pessoas afetadas por sequelas da Covid-19. O estudo envolveu 70 voluntários que apresentaram perda do paladar e do olfato após a infecção pelo vírus.
Metodologia do estudo
Os participantes foram divididos em dois grupos: o primeiro recebeu uma simulação da aplicação de fotobiomodulação associada a um treinamento olfativo, e o segundo foi submetido à aplicação real do laser. O tratamento consistiu na irradiação em 18 pontos específicos, localizados na borda lateral da língua e nas glândulas salivares, realizada semanalmente por até dois meses ou até a remissão dos sintomas.
Além da aplicação do laser, os pacientes participaram de um treinamento olfativo diário, utilizando substâncias como rosa, limão, eucalipto e cravo, com o objetivo de estimular a recuperação sensorial.
Resultados e conclusões
Os resultados indicaram uma melhora significativa no grupo que recebeu o tratamento efetivo com laser, apresentando uma taxa de reversão completa do distúrbio do paladar de 32,3%, mais que o dobro do índice observado no grupo simulado, que foi de 13,8%. A avaliação semanal da função gustativa foi realizada por meio de testes com sabores ácidos, doces, salgados e amargos.
Segundo a pesquisadora Letícia Fernandes Sobreira Parreira, o procedimento é indolor e não gera sensação de calor ou queimação, o que contribui para a aceitação do tratamento. O professor Carlos Eduardo Fontana destaca que a luz utilizada, que pode ser vermelha ou infravermelha, possui propriedades que aumentam a imunidade, exercem efeito antioxidante e ajudam no controle de inflamações, características importantes para o tratamento de sequelas pós-Covid-19.
Perfil dos participantes
O estudo também observou que a maioria dos voluntários era composta por mulheres, o que corrobora pesquisas anteriores que indicam maior sensibilidade ao paladar nesse grupo, facilitando a percepção das alterações nos sentidos gustativo e olfativo.
Os resultados completos da pesquisa estão previstos para serem apresentados à Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica, contribuindo para o desenvolvimento de protocolos clínicos para o tratamento de sequelas da Covid-19 relacionadas ao paladar.
