PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 30 de agosto de 2026
Brasil

Abordagens não farmacológicas para melhorar a qualidade de vida de pacientes com demência

Um recente estudo divulgado na revista Alzheimer’s & Dementia: The Journal of Alzheimer’s Association avaliou as vantagens de intervenções não medicamentosas no tratamento de demência, incluindo Alzheimer. Pesquisadores da Brown University utilizaram simulações para comparar quatro abordagens alternativas ao protocolo tradicional, verificando redução de custos de até US$ 13 mil (cerca de R$ 65 mil), além da diminuição das internações em instituições de longa permanência.

Essas intervenções têm como foco principal a maximização da autonomia dos pacientes em seus domicílios, além de oferecer suporte e aconselhamento aos cuidadores. Entre os programas analisados estão o Maximizing Independence at Home, New York University Caregiver, Alzheimer’s and Dementia Care e Adult Day Service Plus.

Desafios na rotina de pacientes com demência

O declínio cognitivo associado à demência torna tarefas cotidianas, consideradas simples para pessoas sem a doença, complexas e frustrantes para os pacientes. Atividades como escovar os dentes envolvem diversas etapas que podem gerar confusão e estresse, o que frequentemente resulta em comportamentos agressivos. Essas manifestações não devem ser interpretadas apenas como reações intempestivas, mas sim como expressões de dificuldades diante das limitações impostas pela condição.

Recomendações para reduzir o estresse e a frustração

Especialistas sugerem uma série de práticas para facilitar a rotina dos pacientes e minimizar o estresse. Entre as principais orientações estão a aceitação das limitações do indivíduo, evitando expectativas irreais; a simplificação das escolhas, como oferecer apenas duas opções de roupas ou refeições; e a adaptação do ritmo das atividades para respeitar o tempo necessário para processamento e resposta.

Além disso, manter um ambiente calmo e previsível, com rotina e objetos organizados, favorece a concentração e o conforto. A comunicação deve ser clara, pausada e segmentada em etapas simples. É importante também evitar sobrecarga de atividades e cuidar da dor e do desconforto, que muitas vezes não são expressados diretamente pelos pacientes.

Por fim, recomenda-se adaptar as tarefas diárias às capacidades do paciente para garantir sucessos cotidianos, como o uso de roupas com velcro ao invés de botões e talheres adaptados. O respeito à dignidade e às limitações do indivíduo é fundamental para um cuidado humanizado e eficaz.