PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 30 de agosto de 2026
Brasil

Pesquisadores utilizam identificação única para mapear onças-pintadas em São Paulo

Especialistas da Fundação Florestal (FF) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estão realizando um levantamento abrangente das onças-pintadas no Estado de São Paulo. O monitoramento utiliza um método baseado nas rosetas — padrões únicos das pintas do animal — que funcionam como uma espécie de impressão digital, permitindo a identificação individual de cada felino.

O projeto abrange áreas como o Pontal do Paranapanema, o Contínuo de Paranapiacaba, a Serra do Mar e o Vale da Ribeira, com o objetivo de criar um banco de dados detalhado para orientar ações de preservação. As informações são coletadas por meio de armadilhas fotográficas instaladas em pontos estratégicos das florestas, que capturam imagens dos animais em diferentes ângulos para facilitar a identificação.

Importância do monitoramento e desafios para a conservação

Segundo a pesquisadora Andrea Pires, da Fundação Florestal, o mapeamento funciona como um guia para pesquisadores e para a população, auxiliando na identificação das onças em diferentes regiões do estado. Além disso, o monitoramento permite acompanhar a ocupação territorial e os comportamentos dos animais, dados essenciais para o desenvolvimento de estratégias eficazes de conservação.

O biólogo Fabrício Cecotti destaca que o acompanhamento contínuo, como o do macho chamado ‘Chico’, registrado desde filhote, possibilita observar aspectos raros do comportamento das onças, como a convivência entre mãe e filho adulto. Já a bióloga Beatriz Beisiegel, do ICMBio, ressalta que, apesar dos avanços, a população de onças-pintadas em São Paulo enfrenta ameaças significativas, especialmente pela caça ilegal, que compromete a sobrevivência da espécie em um cenário de população reduzida.

Conservação e papel ecológico das onças-pintadas

As onças-pintadas são consideradas espécies guarda-chuva, pois a proteção de seu habitat contribui para a conservação de toda a cadeia alimentar e ecossistemas associados. A manutenção de populações estáveis no Parque Estadual do Morro do Diabo e outras unidades de conservação demonstra o potencial dessas áreas para preservar a biodiversidade regional.

O trabalho de mapeamento e monitoramento contínuo é fundamental para atualizar as estimativas populacionais, entender as dinâmicas territoriais e apoiar políticas públicas que garantam a proteção desse felino, o maior das Américas, e seu habitat natural.