PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 30 de agosto de 2026
Economia

Testemunhas indicam que Meta tinha conhecimento sobre limitações das ferramentas de proteção a adolescentes no Instagram

Em um processo judicial envolvendo 29 estados americanos, testemunhas afirmaram que a Meta, empresa responsável pelas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp, tinha ciência das falhas nas ferramentas de proteção destinadas a usuários adolescentes no Instagram. O julgamento, que ocorre na Califórnia e deve se estender até o final de setembro, investiga acusações de que a empresa teria minimizado os riscos associados ao uso de suas redes sociais por menores de idade.

Documentos internos apresentados no tribunal revelam que funcionalidades como o lembrete para interromper a rolagem contínua da tela tiveram uma baixa adesão, com apenas 1,8% dos usuários ativando a ferramenta. Outro recurso, que silencia notificações durante a noite, foi utilizado por 8,7% dos usuários. O diretor de design de produto do Instagram, Francesco Fogu, admitiu durante o interrogatório que a empresa sabia que a taxa de utilização desses recursos seria inferior caso eles não fossem ativados por padrão, embora tenha demonstrado desconhecimento sobre dados específicos.

Declarações de ex-funcionários e impacto no uso das ferramentas

Ex-membros da equipe da Meta também destacaram a ineficácia das ferramentas. Arturo Bejar, ex-diretor de engenharia, qualificou o recurso “Take a Break” como uma funcionalidade criada para não funcionar efetivamente. Além disso, o cientista de dados George Volichenko, que trabalhou diretamente em recursos de segurança para adolescentes entre 2022 e 2023, afirmou que as taxas de adoção foram decepcionantes e que a liderança da empresa demonstrava pouco interesse em incentivar o uso dessas proteções.

Volichenko explicou que a direção da Meta não autorizou a ativação automática do modo silencioso para usuários adolescentes mais jovens, o que dificultou o acesso e a utilização da função dentro do aplicativo. Segundo ele, a ativação padrão desses recursos poderia impactar negativamente o engajamento dos usuários, o que teria implicações diretas no modelo de negócios da companhia.

Contexto do modelo de negócios e implicações

A Meta fundamenta sua receita principalmente na venda de publicidade, beneficiando-se do tempo que os usuários permanecem ativos em suas plataformas. A possível redução na interação provocada pela ativação automática dos mecanismos de segurança para adolescentes pode, portanto, representar um conflito entre interesses comerciais e a proteção dos usuários mais jovens.