Em um incidente ocorrido em 6 de julho na cidade de Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia, um drone russo guiado por inteligência artificial causou a morte de três civis, incluindo uma jovem de 19 anos, conforme informações de autoridades ucranianas divulgadas pelo jornal americano The New York Times.
Este episódio representa o primeiro ataque confirmado por um armamento capaz de selecionar autonomamente seu alvo e o momento do ataque, sem intervenção humana direta, segundo fontes de Kiev. O drone estava programado para atingir um posto de combustível, mas escolheu de forma independente o ponto exato da explosão, provavelmente tanques de gás propano, ampliando o impacto da ação.
Uso de inteligência artificial e implicações militares
O equipamento utilizava um chip comercial fabricado pela empresa americana Nvidia, presente em tecnologias avançadas de inteligência artificial. Embora a Nvidia não comercialize diretamente seus produtos na Rússia, os chips podem ser adquiridos por meio de revendedores ou no mercado secundário. A empresa destaca que seus produtos são destinados a usos benéficos em áreas acadêmicas e de desenvolvimento tecnológico.
Especialistas e autoridades militares ucranianas alertam para os riscos crescentes da automação em armamentos, com a capacidade das máquinas de tomar decisões letais de forma independente. Serhiy Minaiev, comandante das defesas aéreas de Zaporizhzhia, ressaltou a gravidade da situação, comparando-a a cenários distópicos retratados em obras de ficção científica.
Contexto do conflito e preocupações internacionais
Ambos os lados do conflito, Rússia e Ucrânia, utilizam inteligência artificial em drones militares, porém, até então, os sistemas empregavam controle humano para a seleção dos alvos. O avanço para drones com autonomia total representa uma nova etapa no uso de tecnologia bélica, suscitando debates sobre ética, riscos de erros e possíveis violações do direito internacional humanitário, especialmente no que se refere à distinção entre civis e combatentes.
Após o ataque, equipes forenses militares da Ucrânia analisaram os destroços do drone, confirmando a utilização de recursos de inteligência artificial. A adoção crescente de sistemas autônomos em operações militares destaca a necessidade de regulamentações e controles internacionais para mitigar riscos humanitários e estratégicos.
