O declínio cognitivo associado ao envelhecimento está fortemente relacionado ao estilo de vida adotado ao longo dos anos, segundo o pesquisador Marc Milstein, autor do livro “The Age-Proof Brain”. O cientista ressalta que avanços nos últimos 20 anos permitiram compreender melhor os fatores que contribuem para a preservação das funções cerebrais.
Um dos aspectos fundamentais para a saúde do cérebro é a qualidade do sono. Durante o descanso, o cérebro passa por um processo de contração que facilita a remoção de resíduos tóxicos pelo sistema glinfático, essencial para a manutenção das funções neurológicas. Milstein enfatiza que a ausência de luz durante o sono é crucial para que essas fases profundas sejam alcançadas, e alerta para os riscos do uso de medicamentos para dormir, que podem prejudicar esse mecanismo natural.
Além do sono, a alimentação desempenha papel importante na proteção cognitiva. A “mind diet” recomendada pelo autor prioriza o consumo de grãos integrais, legumes, verduras e peixes ricos em ômega 3, enquanto restringe alimentos ultraprocessados. A suplementação deve ser orientada por exames clínicos que identifiquem deficiências específicas. Quanto ao consumo de álcool, Milstein destaca o posicionamento da Organização Mundial da Saúde, que não reconhece níveis seguros para a ingestão de bebidas alcoólicas, mesmo considerando exceções presentes em algumas dietas tradicionais.
Engajamento social e atividade física
O isolamento social é identificado como um fator de risco para o comprometimento cognitivo. O envolvimento em atividades sociais, aprendizado contínuo e práticas recreativas, como dança e esportes, são recomendados para estimular o cérebro de forma prazerosa e eficaz. Um estudo citado pelo autor, realizado com freiras idosas, evidenciou que, apesar da presença de sinais biológicos de declínio, a atividade social e mental mantiveram as funções cognitivas preservadas.
Para facilitar a adoção de hábitos saudáveis, Milstein propõe o acrônimo BRAIN, que orienta práticas essenciais: Balance (equilíbrio), Recall (memória), Assessment (autoavaliação da saúde), Intensity of walking (caminhada vigorosa diária) e Number (percepção da própria idade, associada à vitalidade cerebral). O pesquisador destaca que a apneia do sono, condição tratável, é um exemplo de fator que pode antecipar o declínio cognitivo se não for adequadamente diagnosticado e tratado.
Essas recomendações reforçam a importância de escolhas conscientes para o envelhecimento cerebral saudável, destacando que ações simples e integradas podem contribuir significativamente para a qualidade de vida e a preservação das funções cognitivas ao longo do tempo.
