PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 26 de abril de 2026
Brasil

Desafios na Inclusão de Idosos em Pesquisas com Dispositivos Wearables

Pesquisas recentes evidenciam que, apesar dos avanços em tecnologias vestíveis (wearables) para monitoramento da saúde, os idosos, principalmente aqueles com declínio cognitivo e demência, permanecem sub-representados nos estudos científicos. Essa lacuna ocorre mesmo diante do potencial significativo desses dispositivos para melhorar a qualidade de vida e o acompanhamento clínico desse público.

Um artigo publicado no periódico The Lancet Digital Health indica que, embora haja esforços para incluir minorias e populações vulneráveis, como pessoas de baixa renda e residentes em áreas rurais, os indivíduos com comprometimentos cognitivos têm sido preteridos nas pesquisas. Isso se dá apesar das capacidades das tecnologias, como inteligência artificial, para monitorar alterações comportamentais, prevenir quedas, traçar trajetórias cognitivas e funcionais, e aliviar a carga dos cuidadores.

Contrariando a percepção comum de que os idosos possuem baixa aptidão digital, dados recentes indicam um aumento significativo na adesão dessa faixa etária às tecnologias digitais, especialmente após a pandemia. No entanto, em estudos como o Apple Heart Study, a média de idade dos participantes é de 41 anos, com apenas 6% acima de 65 anos. Tal sub-representação está associada a limitações técnicas dos dispositivos para faixas etárias mais avançadas e à menor aceitação da tecnologia por pacientes com demência.

Uma revisão sistemática conduzida em 2022 reforça que poucos estudos abordam o uso de wearables e tecnologias baseadas em inteligência artificial em idosos sob cuidados de longo prazo. Desafios práticos, como a necessidade de lembrar de carregar os dispositivos ou operar funcionalidades em horários específicos, dificultam a continuidade do uso por pessoas com perda de memória. Dessa forma, há a necessidade de desenvolver soluções tecnológicas adaptadas às especificidades desse público para garantir maior adesão e eficácia.

Diante do crescimento projetado da população idosa e do aumento esperado de casos de demência — estimados em mais de 150 milhões até 2050 —, ampliar a inclusão dos idosos nas pesquisas com wearables é fundamental para aprimorar estratégias de cuidado e monitoramento clínico.