O filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, contou com mais de 90% de seu orçamento financiado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, conforme declaração da produtora responsável pelo projeto. Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora GoUp, informou que o orçamento total do longa-metragem está estimado em aproximadamente US$ 13 milhões, o equivalente a cerca de R$ 65,7 milhões.
Atualmente em fase de pós-produção, o filme ainda requer recursos adicionais, porém em quantia considerada não substancial, para finalização de efeitos especiais e sonorização. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência e filho do ex-presidente, reconheceu publicamente o aporte de pouco mais de US$ 12 milhões por parte de Vorcaro, valor que representa cerca de 92% do investimento realizado até o momento.
Intermediação e Fontes de Recursos
Após a prisão de Daniel Vorcaro, a equipe responsável pelo filme buscou novos investidores para dar continuidade ao projeto. Karina Ferreira da Gama ressaltou que Vorcaro atuou como intermediador da verba, e não como investidor direto. Ela explicou que a produtora não recebeu recursos diretamente do banqueiro ou de suas empresas, mas sim do fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos e gerido pelo advogado Paulo Calixto, aliado político do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
As investigações da Polícia Federal indicam que a empresa Entre Investimentos e Participações, vinculada a Vorcaro, foi a origem dos recursos destinados ao filme. As filmagens ocorreram integralmente no Brasil, com a última gravação registrada em 8 de dezembro de 2025, semanas após a detenção inicial do banqueiro.
Emendas e Projetos Documentais
Além do longa, outra empresa de Karina, a Academia Nacional de Cultura, recebeu R$ 2,4 milhões em emendas via PIX para a produção da série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”. Contudo, o projeto não avançou devido ao bloqueio de uma das emendas, originada da então deputada Carla Zambelli (PL-SP), por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. O bloqueio ocorreu em razão do não cumprimento dos requisitos estabelecidos para esse tipo de emenda, atualmente sob investigação preliminar no STF.
As emendas para a série foram distribuídas entre deputados do PL, incluindo Marcos Pollon (R$ 1 milhão), Bia Kicis (R$ 150 mil), Alexandre Ramagem (R$ 500 mil) e Carla Zambelli (R$ 750 mil). A interrupção destas verbas inviabilizou a execução da série que pretendia abordar a história de personalidades brasileiras como José de Anchieta e Dom Pedro I.
