O candiru é um peixe de água doce da Amazônia frequentemente associado a relatos sobre sua capacidade de penetrar em orifícios do corpo humano, principalmente a uretra. Entretanto, esse comportamento é restrito a algumas espécies específicas, e muitas informações populares sobre o animal carecem de respaldo científico.
Diversidade e hábitos alimentares
Existem diversas espécies de candiru, que podem ser classificadas em dois grupos principais: aqueles que se alimentam da carne de outros peixes e os hematófagos, que consomem apenas o sangue. Os candirus hematófagos não apresentam preferência por uma espécie específica, alimentando-se de qualquer peixe com sangue suficiente para sua nutrição.
Ecologicamente, esses candirus funcionam de maneira semelhante a mosquitos, consumindo sangue do hospedeiro e se afastando em seguida. Por essa característica, são considerados parasitas, sendo comum encontrá-los presos às brânquias de peixes capturados nos rios amazônicos.
Investigação sobre a atração pelo odor da urina
Um dos mitos mais difundidos é que o candiru seria atraído pelo cheiro da urina humana, o que levaria ao risco de penetração em orifícios corporais. Pesquisas conduzidas por instituições brasileiras e internacionais em ambiente controlado não encontraram evidências estatísticas que sustentem essa hipótese. Testes com diversas substâncias, incluindo urina humana, amônia, aminoácidos e muco de peixe, não provocaram respostas significativas nos candirus.
Apesar disso, a possibilidade de que o candiru confunda o odor da ureia humana com a amônia exalada pelas brânquias de peixes, que utilizam para localizar seu alimento, é uma suposição ainda não comprovada cientificamente. O comportamento dos candirus em ambientes naturais pode diferir do observado em laboratório, o que mantém o debate aberto.
Capacidade visual e atração por estímulos visuais
Estudos indicam que os candirus possuem visão aguçada, sendo capazes de identificar e direcionar-se a objetos visuais, inclusive peixes pequenos em seu ambiente. Essa característica sugere que a presença de corpos humanos na água pode atrair esses peixes, não necessariamente por estímulos químicos, mas por estímulos visuais, o que pode explicar alguns incidentes relatados.
Assim, apesar de sua fama e do receio popular, grande parte dos comportamentos atribuídos ao candiru ainda carece de comprovação científica definitiva, sendo importante diferenciar fatos de mitos para compreender melhor a biologia e o ecossistema desses peixes na Amazônia.
