O Ministério Público de Goiás (MP-GO) protocolou um pedido de suspensão urgente do concurso público destinado aos cargos de soldado 3ª classe e cadete da Polícia Militar. A solicitação ocorreu após denúncias de diversas irregularidades durante a aplicação das provas objetivas e discursivas realizadas em 15 de janeiro, que teriam comprometido a segurança e a transparência do certame.
Entre as irregularidades apontadas estão erros nos cadernos de provas, como questões com alternativas sublinhadas e menção a artigos inexistentes na Constituição Federal, além de inconsistências na identificação dos tipos de prova. Também foram relatados casos de candidatos que ingressaram nas salas com aparelhos eletrônicos, contrariando as regras do edital, e suspeitas de cola durante a avaliação.
A promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira argumenta que a suspensão é necessária para evitar prejuízos aos concorrentes, à administração pública e à sociedade enquanto o processo judicial está em andamento. O MP-GO ainda solicitou a reaplicação das provas e a divulgação de um novo cronograma para todas as fases do concurso.
Decisões judiciais e andamento processual
Em 31 de janeiro, a juíza Zilmene Gomide da Silva Manzoll já havia concedido liminar suspendendo parcialmente as vagas ofertadas no concurso, impedindo as nomeações até decisão definitiva. Apesar disso, o certame continuou em curso. O Tribunal de Justiça de Goiás informou que os autos foram encaminhados para nova análise da magistrada, que deverá decidir sobre a manutenção ou revogação da suspensão.
Até o momento, a Secretaria de Estado de Gestão e Planejamento (Segplan), responsável pela organização do concurso, aguarda comunicação oficial para se manifestar. A Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Assistência (Funrio), encarregada da aplicação das provas, ainda não se posicionou sobre o pedido do MP-GO.
Problemas na correção e divulgação dos resultados
Além das falhas na aplicação, o MP-GO destacou problemas no processamento e divulgação dos resultados. Para o cargo de cadete, foram publicadas três listas diferentes de aprovados na prova objetiva, com alterações nos nomes, posições e notas. A Funrio alegou ter sofrido um ataque hacker que teria motivado a primeira divulgação, mas só registrou boletim de ocorrência após questionamento do MP.
Após a correção das provas, o resultado preliminar foi divulgado individualmente, sem publicação de lista consolidada, o que gerou dúvidas sobre a transparência do processo. Também foram identificados erros nos gabaritos oficiais, corrigidos somente após alertas dos candidatos e do Ministério Público.
Impactos no cronograma e na credibilidade do concurso
O cronograma do concurso sofreu cinco retificações desde setembro do ano anterior, o que, segundo o MP-GO, contribuiu para a instabilidade do certame. A divulgação de imagens do material de prova e cartões-resposta em redes sociais, por parte de candidatos durante a aplicação, demonstrou falhas no controle do uso de aparelhos eletrônicos.
De acordo com a promotora Leila Maria, os problemas não se configuram como incidentes isolados, mas sim como uma sequência de falhas que evidenciam a falta de preparo da banca organizadora, comprometendo a isonomia e a credibilidade do concurso público da Polícia Militar de Goiás.
