O governo dos Estados Unidos está analisando a possibilidade de classificar as organizações criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas. A medida vem sendo discutida internamente no Departamento de Estado norte-americano nas últimas semanas, segundo informações obtidas pelo jornal The New York Times, após contatos realizados por membros da família do ex-presidente Jair Bolsonaro junto a integrantes da administração de Donald Trump.
Embora não haja pronunciamento oficial sobre a iniciativa, o contexto político bilateral tem sido marcado por tensões recentes. Em 2025, a gestão Trump aplicou tarifas adicionais a produtos brasileiros e sancionou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, em resposta a decisões envolvendo o ex-presidente Bolsonaro. Posteriormente, essas medidas foram revisadas após negociações entre Trump e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Contexto da designação e posicionamento brasileiro
Desde o início de seu mandato, Donald Trump adotou uma política voltada para a inclusão de grupos criminosos latino-americanos na lista de organizações terroristas dos EUA, visando ampliar restrições econômicas e jurídicas. No caso da Venezuela, essa classificação foi utilizada para justificar operações militares na região, incluindo a captura do ex-presidente Nicolás Maduro.
Tradicionalmente, a designação de grupos como terroristas pelo Departamento de Estado implica sanções financeiras e limitações operacionais. A Casa Branca argumenta que essa medida é aplicada a organizações que representem ameaças diretas à segurança interna dos Estados Unidos, como os cartéis mexicanos. No entanto, até o momento, as facções brasileiras não são consideradas nesse âmbito.
Recentemente, durante uma cúpula com líderes latino-americanos alinhados ao governo Trump, o secretário de Estado Marco Rubio comunicou ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, a intenção de incluir o PCC e o CV na lista de grupos terroristas. O Itamaraty manifestou oposição formal à proposta e rejeitou o pedido para que o Brasil adotasse medida similar.
