O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou nesta terça-feira (7) a suspensão por duas semanas das operações militares contra o Irã, condicionada à abertura segura e irrestrita do Estreito de Ormuz, importante rota para o transporte global de petróleo. A decisão foi tomada após mediação do Paquistão, que atua como interlocutor nas negociações indiretas entre Washington e Teerã.
Trump afirmou em sua rede social que os objetivos militares norte-americanos já foram alcançados e que existe um avanço nas conversas para um acordo de paz duradouro. Ele mencionou a recepção de uma proposta iraniana com dez pontos, considerada uma base viável para as tratativas, e destacou que a maior parte das divergências anteriores já foi superada.
Confirmação iraniana e detalhes do acordo
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou o acordo, ressaltando que o país suspenderá ações defensivas enquanto durar a trégua e que a passagem pelo Estreito de Ormuz será garantida mediante coordenação técnica com as Forças Armadas iranianas. Ele também mencionou que os Estados Unidos apresentaram uma proposta com quinze pontos e aceitaram utilizar o plano iraniano de dez pontos como base para as negociações, que terão início na próxima sexta-feira (10), em Islamabad.
A proposta iraniana inclui pontos como a não agressão, manutenção do controle do Estreito de Ormuz pelo Irã, reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio, suspensão das sanções primárias e secundárias impostas pelos EUA, revogação de resoluções da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica, compensações financeiras, retirada de forças militares americanas da região e cessação dos conflitos em todas as frentes, incluindo o Líbano.
Contexto de tensões e impactos
O anúncio ocorre em um contexto de elevada tensão internacional, com temores de escalada militar e possíveis impactos econômicos globais, especialmente no setor energético, devido à importância estratégica do Estreito de Ormuz. Ataques realizados anteriormente por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos intensificaram o conflito, levando o Irã a adotar medidas defensivas e a alertar sobre possíveis represálias contra infraestruturas de países vizinhos.
A trégua mediada pelo Paquistão, que inclui também a participação de Israel e, segundo relatos da mídia regional, do Líbano, representa um esforço para evitar o agravamento da crise e abrir caminho para uma solução diplomática, embora a mídia estatal iraniana tenha ressaltado que o acordo não significa o fim do conflito.
