O governo dos Estados Unidos anunciou a revogação do visto concedido à embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi justificada pelo Departamento de Estado norte-americano como uma retaliação à demora do governo brasileiro em aprovar o aval diplomático para Daniel Perez, indicado para assumir a embaixada dos EUA em Brasília.
Daniel Perez, presidente da Câmara dos Deputados da Flórida e integrante do Partido Republicano, foi nomeado em junho para o cargo de embaixador americano no Brasil. Embora tenha recebido o aval de uma comissão do Senado dos EUA, a nomeação ainda aguarda a aprovação plenária. O governo dos EUA afirma que o Brasil ainda não concedeu o aval diplomático necessário para a posse de Perez e que comunicou o país repetidamente, sem obter solução para o impasse.
O aval diplomático, conhecido como agrément, é uma etapa protocolar em que o país anfitrião deve consentir formalmente com a indicação do embaixador antes de sua posse. Tradicionalmente, essa aprovação é concedida antes do anúncio público da nomeação, o que não ocorreu no caso de Perez, gerando desconforto no governo brasileiro. Além disso, o pedido formal de aval foi enviado apenas semanas após o anúncio oficial, e o Brasil sinalizou que analisaria a nomeação somente após as eleições presidenciais de outubro.
Apesar da revogação do visto, os Estados Unidos informaram que a embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti não foi declarada persona non grata e poderá permanecer no país. No entanto, caso ela deixe o território americano, deverá solicitar um novo visto para retornar.
O Itamaraty repudiou a decisão americana, qualificando as justificativas apresentadas como falsas e classificando a medida como parte de uma escalada de ações hostis contra o Brasil. O ministério acusou ainda os Estados Unidos de interferência nas eleições brasileiras e considerou a revogação do visto uma forma de chantagem diplomática.
Este episódio ocorre em um contexto de crescente tensão bilateral, com a deterioração das relações após a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA, a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros e a recusa do Brasil em conceder vistos a diplomatas norte-americanos, que, segundo reportagens, estariam envolvidos em ações para questionar o sistema eleitoral brasileiro.
