PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 30 de agosto de 2026
Brasil

Estudo aponta potencial de quase R$ 1 trilhão de impacto da inteligência artificial no PIB brasileiro até 2030

Um estudo realizado pelo Reglab e encomendado pela OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, projeta que a inteligência artificial (IA) pode agregar até R$ 986,7 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil entre 2027 e 2030. O valor corresponde a aproximadamente 7,6% do PIB estimado para 2026, que é de R$ 12,9 trilhões, e representa um crescimento médio anual de 0,69 ponto percentual no período.

A análise considera o impacto da tecnologia em 12 setores econômicos, destacando dois principais canais de contribuição: o aumento da produtividade dos trabalhadores e a maior eficiência do capital, incluindo máquinas, equipamentos e estruturas produtivas. O estudo enfatiza que os benefícios serão progressivos, à medida que empresas, governos e trabalhadores adotem as ferramentas de IA.

Setores com maior potencial de impacto

As indústrias de transformação, que envolvem a conversão de matérias-primas em produtos, lideram as projeções com um impacto estimado de R$ 264,2 bilhões. Em seguida, aparecem as atividades de serviços, com R$ 165,4 bilhões, e o comércio, com R$ 131,2 bilhões. A contribuição da produtividade do trabalho corresponde a cerca de 65% do impacto total, enquanto o restante está ligado à eficiência do capital, embora essa proporção varie conforme o setor.

Por exemplo, na agropecuária, cerca de 92% do impacto está relacionado à incorporação da IA em máquinas e infraestrutura, totalizando R$ 48,2 bilhões. Já nos setores com maior concentração de atividades cognitivas, como finanças e tecnologia da informação, o aumento da produtividade dos trabalhadores é predominante, chegando a 87% e 97%, respectivamente. Nessas áreas, a IA pode apoiar tarefas como análise de documentos, avaliação de riscos e atendimento ao cliente.

Desafios para a adoção e perspectivas futuras

Apesar do potencial, o estudo ressalta que a difusão da IA no Brasil tende a ser mais lenta do que em economias desenvolvidas, devido à heterogeneidade empresarial, custos financeiros, limitações na infraestrutura e lacunas na qualificação profissional. Até 2030, estima-se que dois terços dos ganhos potenciais vinculados ao aumento da produtividade e à eficiência do capital já terão sido alcançados.

O relatório destaca que o valor estimado não representa uma previsão definitiva, pois a efetivação dos benefícios depende da velocidade de adoção tecnológica e do ambiente institucional, regulatório e educacional do país. Entre as recomendações para acelerar esse processo estão a requalificação profissional, a expansão da infraestrutura digital, incentivos para a adoção da IA em empresas menos produtivas, o estabelecimento de um marco regulatório claro, políticas de governança e dados abertos, além do uso da tecnologia nos serviços públicos.

O estudo conclui que a maximização dos ganhos da inteligência artificial requer não apenas avanços técnicos, mas também a criação de condições favoráveis para sua ampla e produtiva implementação na economia brasileira.