PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO sábado, 25 de julho de 2026
Brasil

Estudo da PUC-Campinas confirma eficácia do laser no tratamento da perda do paladar pós-Covid-19

Uma pesquisa conduzida pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) avaliou o uso da fotobiomodulação por laser de baixa potência para a recuperação do paladar em pacientes que apresentaram sequelas decorrentes da Covid-19. O estudo, desenvolvido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, envolveu 70 voluntários e foi realizado na Clínica de Odontologia da instituição.

Metodologia e aplicação do tratamento

Os participantes foram selecionados após confirmação da perda de paladar e olfato e divididos em dois grupos. O primeiro grupo recebeu um procedimento simulado de fotobiomodulação associado a terapia olfativa, enquanto o segundo foi submetido à aplicação real do laser. O tratamento consistiu na exposição da luz em 18 pontos específicos, localizados na borda lateral da língua e nas glândulas salivares. O protocolo foi desenvolvido com base em técnicas já utilizadas para pacientes oncológicos com sintomas similares.

Resultados e benefícios observados

Os resultados indicaram que o grupo submetido ao tratamento com laser apresentou uma recuperação mais rápida e eficaz do paladar. A reversão completa do distúrbio foi observada em 32,3% dos pacientes tratados com o laser, enquanto no grupo simulado esse índice foi de 13,8%. A fotobiomodulação utiliza luz vermelha ou infravermelha, que contribui para a modulação imunológica, efeito antioxidante e controle de processos inflamatórios, sem causar desconforto aos pacientes, conforme explicou a pesquisadora Letícia Fernandes Sobreira Parreira.

Complemento terapêutico e perfil dos participantes

Além do tratamento com laser, os pacientes participaram de um treinamento olfativo diário com essências de rosa, limão, eucalipto e cravo, buscando potencializar a recuperação sensorial. A avaliação da função gustativa foi realizada semanalmente por meio de testes com diferentes sabores — ácido cítrico, sacarose, cloreto de sódio e extrato de boldo — e questionários qualitativos, durante até dois meses ou até a remissão dos sintomas.

Do total de voluntários, 54 eram mulheres, o que reforça estudos anteriores que indicam maior sensibilidade feminina na percepção dos sabores, facilitando a identificação das alterações no paladar.

Os resultados completos da pesquisa serão apresentados à Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica no mês de setembro, contribuindo para o avanço das terapias voltadas à reabilitação sensorial pós-Covid-19.