PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO terça-feira, 21 de julho de 2026
Economia

Ex-funcionários da Meta processam empresa por suposto uso indevido de IA em demissões

Um grupo de 26 ex-funcionários da Meta, responsável pelas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp, ingressou com uma ação judicial nos Estados Unidos alegando que a empresa utilizou um sistema de inteligência artificial (IA) que teria prejudicado trabalhadores com deficiência ou que estavam em licença médica durante um processo de demissões em massa.

De acordo com os documentos judiciais apresentados em um tribunal federal em Oakland, Califórnia, a ferramenta automatizada teria identificado de maneira desproporcional esses empregados para desligamento, violando leis federais e estaduais que protegem contra discriminação e retaliação de trabalhadores nessas condições.

Os ex-funcionários, que optaram por manter o anonimato e residem em seis estados americanos, incluindo Califórnia, Nova York e o Distrito de Columbia, afirmam que critérios usados pela Meta, como produtividade e uso de tecnologias de IA, foram aplicados para definir quais colaboradores seriam afetados pelos cortes, impactando negativamente aqueles que precisaram se ausentar por questões de saúde.

Em resposta às acusações, a Meta declarou que as decisões relacionadas à gestão de pessoas e organização interna são tomadas por profissionais, não por sistemas automatizados. A empresa ressaltou que as alegações carecem de fundamento.

Contexto das demissões e investimentos em IA

As alegações surgem após a Meta promover uma reestruturação em maio, que resultou na demissão de cerca de 8 mil funcionários, aproximadamente 10% da força de trabalho da companhia, que contava com 78,9 mil colaboradores ao final de 2025. O processo de notificação iniciou-se pela Ásia e posteriormente alcançou os Estados Unidos, sem confirmação sobre o impacto no Brasil.

Antes dos cortes, a empresa já havia comunicado a realocação de cerca de 7 mil trabalhadores para áreas relacionadas à inteligência artificial, medida que, segundo relatos internos, não era opcional e gerou tensão entre os funcionários. A diretora de recursos humanos da Meta, Janelle Gale, afirmou que a reorganização visa aumentar a eficiência e equilibrar os investimentos crescentes em IA.

Nos últimos meses, a Meta ampliou significativamente seus investimentos em infraestrutura para inteligência artificial, incluindo a aquisição de chips e construção de novos centros de dados. A companhia projeta investimentos entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões para 2026, com foco no desenvolvimento de tecnologias avançadas. Em fevereiro, a empresa firmou um contrato com a fabricante AMD para compra de milhões de processadores, avaliado em pelo menos US$ 60 bilhões.